Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Terremoto no México adia ida do Brasil para Mundial paralímpico de natação

Grupo de 18 atletas aguarda nova data para embarcar para a competição

Rafael Franco, Estadão Conteúdo

19 de setembro de 2017 | 19h02

A seleção brasileira de natação paralímpica realizou na manhã desta terça-feira, em São Paulo, aquele que inicialmente estava programado para ser o seu último treino em solo nacional antes de embarcar rumo à Cidade do México, onde disputará o Mundial de 2017 entre os dias 30 de setembro e 6 de outubro. O embarque, que ocorreria no final da noite desta terça no Aeroporto Internacional de Guarulhos, foi suspenso devido ao forte terremoto que atingiu a capital mexicana por volta das 15 horas (de Brasília) deste mesmo dia.

"O grupo de 18 atletas embarcaria para um período de aclimatação antes do Mundial da modalidade, que está previsto para começar no dia 30 de setembro. Por ora, não há uma definição de uma nova data de embarque. A direção técnica do Comitê (Paralímpico Brasileiro) prefere aguardar mais informações sobre as condições da cidade e sobre o status da competição, a fim de garantir a segurança de todos", informou o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio de nota oficial divulgada no início da noite desta terça-feira.

No fim da nota, a entidade também ressaltou que "lamenta a catástrofe e deseja força a todos os mexicanos afetados pelo terremoto", que foi sentido na Cidade do México e foi de 7,1 graus na escala Richter. O tremor deixou ao menos 130 mortos no país, onde o fenômeno da natureza sacudiu edifícios e causou pânico.

Ainda sem saber quando poderá viajar por causa do terremoto, a delegação do Brasil conta com 18 nadadores e desta vez será representada por um grupo que mescla nomes consagrados, como por exemplo Daniel Dias, maior atleta paralímpico da história do País, e outros jovens valores da modalidade que despontam no início deste ciclo olímpico que visa principalmente os Jogos de Tóquio-2020.

Ouvidos pela reportagem do Estado no novíssimo Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, inaugurado em São Paulo em maio de 2016, Daniel Dias, de 29 anos, e o também supervitorioso André Brasil, de 33, exaltaram a importância de dar continuidade ao legado de glórias que conquistaram no esporte adaptado.

Mais do que isso, eles destacaram o fato de que possuem a responsabilidade de transmitir de forma eficiente a experiência ao jovens que estão iniciando suas trajetórias no time nacional e se espelham nas inúmeras medalhas que os dois astros da natação paralímpica do País conquistaram em Mundiais, Paralimpíadas e Parapan-Americanos.

"Estou muito feliz de poder estar mais uma vez representando o meu País, estar com uma seleção renovada, que tem uma mescla entre atletas que já estiveram em outros campeonatos e já estiveram nos Jogos OLímpicos, e outros jovens que talvez tenham a primeira oportunidade de competir em um Campeonato Mundial. Você é meio que, como outros foram pra mim, como um espelho para essa meninada", afirmou André Brasil, que adotou a natação como sua principal atividade ainda enquanto criança após ter poliomielite aos três meses de idade, em doença contraída após reação provocada por uma vacina que tomou e que lhe rendeu uma pequena sequela na perna esquerda.

Um dos maiores medalhistas paralímpicos do País ao lado de Daniel Dias e Clodoaldo Silva, André admite que inevitavelmente a idade já começou a cobrar o seu preço e que por isso hoje não pode pensar apenas em feitos individuais, mas sim em como ajudar a pavimentar o caminho de sucesso que a nova geração poderá trilhar.

"Espero poder dar um norte e ser um espelho a essa molecada que está crescendo, pois um dia serão eles (jovens) que vão estar tomando conta do esporte e nós (veteranos) vamos estar aplaudindo de fora", completou o nadador, que disputou o seu primeiro Mundial em 2006, em Durban, na África do Sul, onde já conquistou quatro das 15 medalhas de ouro que faturou na história da competição, na qual também acumula seis pratas e dois bronzes. Principal referência para a nova geração paralímpica e com o status de quem já faturou por três vezes o prêmio Laureus, o "Oscar do Esporte", Daniel Dias também disputou o seu primeiro Mundial em 2006 e acumula nada menos do que 24 ouros na competição, além de ter subido ao topo do pódio por 14 vezes em Olimpíadas. Altamente consagrado, ele começou a adotar um planejamento no qual deverá optar, neste novo ciclo olímpico, por disputar um menor número de provas, tendo em vista o desgaste maior que o avanço da idade começa a lhe impor.

Neste Mundial do México, por exemplo, ele diminuiu de nove para sete as suas provas, sendo quatro delas individuais e três como integrante de equipes de revezamento do Brasil. "Quando você treina para um leque muito grande de provas, o desgaste é muito grande. Já vou fazer 30 anos em 2018 e agora é um novo ciclo que está começando. Não que eu não vá nadar todas as provas nos Jogos de Tóquio. Isso é uma coisa que será pensada e planejada, mas o objetivo hoje, sim, é melhorar as marcas e de repente quebrar recordes mundiais. Espero nadar bem essas quatro provas individuais e os revezamentos, sendo que não reduzi tanto assim minhas participações. Elas caíram de nove para sete provas, então ainda é bem cansativo", afirmou Daniel Dias.

O astro reconhece que em breve terá de "passar o bastão" aos jovens que preencherão o status de novos protagonistas da natação paralímpica brasileira, assim como lembrou nesta terça-feira de vários candidatos a protagonistas no Mundial do México. "Temos atletas consagrados, assim como eu, o André (Brasil), a Edênia (Garcia), o Phelipe (Rodrigues), mas também tem a nova geração vindo. O Talisson (Glock, de 22 anos) já não é tão inexperiente, mas é muito novo. Tem o Gabriel (Souza, também de 22 anos), a Cecília (Araújo), são meninos e meninas que estão vindo para agregar. Para mim, o Brasil vai mostrar no México uma seleção muito forte e já deixar essa imagem de força para Tóquio-2020. É uma seleção muito forte formada por atletas novos e outros também experientes", disse Daniel Dias, que nasceu com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita.

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