Terrorismo já rondava Munique antes dos Jogos

Atentado, que quase cancelou os Jogos, foi o ápice de uma série deles que rondavam o país-sede em 1972

Carlos Eduardo Entini, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h07

Se quatro anos antes, no México, os punhos fechados dos atletas negros americanos contra a segregação racial mostraram ao mundo a força de um gesto para um protesto pacífico, em Munique/72 a política entraria nos Jogos de maneira trágica e violenta. O atentado realizado na Vila Olímpica pelo grupo terrorista Setembro Negro chocou o mundo, com a morte brutal de 11 atletas israelenses e três guerrilheiros. A ação, que quase cancelou os Jogos, foi o ápice de uma série de atentados que rondavam o país-sede naquele ano.

Em 6 de fevereiro, a organização palestina já executara cinco jornalistas jordanianos acusados de serem espiões de Israel, na cidade de Bruehl, perto de Colônia. Dois dias depois, em Hamburgo, a fábrica Etroefr foi atacada com dinamite. Ela foi escolhida por ser fornecedora de material eletrônico para Israel. Também no mesmo mês e cidade, foram dinamitadas várias instalações de gás natural.

A Olimpíada de Munique tinha importância simbólica para a Alemanha, que pretendia exorcizar a tensão dos Jogos de Berlim, em 1936, usados pelo regime nazista para exibir seus ideários de superioridade racial.

Além do atentado, outros fatos fugiram do roteiro em Munique. O avião da delegação de Cuba invadiu o espaço aéreo europeu e só se identificou perto de Munique, quando pediu autorização para descer. O incidente foi relevado para não interromper "a paz da Olimpíada". A participação da Rodésia, país africano de regime racista, gerou manifestações de 15 nações africanas, dos atletas negros dos EUA e da Venezuela. A pressão e ameaças de boicote resultaram na eliminação do país, contra a vontade do presidente do COI.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.