Daniel Vorley/ECP/Pinheiros
Daniel Vorley/ECP/Pinheiros

Thiago Braz aceita desafio de buscar recorde mundial do salto com vara

'Aflito', campeão olímpico quer reencontrar foco para ultrapassar sarrafo a 6,16 m

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2017 | 07h01

Quem assistir ao Troféu Brasil de Atletismo no domingo, em São Bernardo do Campo, não verá Thiago Braz repetir o voo de 6,03 m que lhe deu o ouro olímpico no salto com vara nos Jogos do Rio. O foco agora é ter resultados medianos – até 30 centímetros a menos – e reencontrar o rumo para dar sequência a um planejamento a longo prazo, idealizado pelo técnico ucraniano Vitaly Petrov.

"Nosso objetivo para esse ano é saltar, no máximo, 5,90 metros. Para o próximo ano, vamos buscar melhorar e manter a altura dos 6 metros. Vitaly entende como é esse período depois da Olimpíada, só não quer deixar a queda de resultado se prolongar por muito tempo", disse Thiago ao Estado.

Na temporada em pista aberta, a melhor marca de Thiago Braz foi 5,60 m, que o coloca apenas em 23.º lugar no ranking. Em sua volta ao Brasil, no último sábado, ficou com a medalha de prata no Grande Prêmio Brasil de Atletismo depois de passar o sarrafo a 5,40 m. Na etapa de Eugene da Liga Diamante, nos Estados Unidos, não encaixou um salto sequer. 

Thiago vê a oscilação com naturalidade após a conquista da medalha olímpica. "A gente gasta quatro anos se preparando para a competição mais importante da nossa vida, já escutei de outros atletas olímpicos que é normal (o rendimento cair). Estou passando por esse período ainda. Estou tentando entender. Quero buscar a solução o mais rápido possível", afirmou o atleta.

Enquanto Thiago luta contra o relaxamento e trabalha o aspecto psicológico para não se abalar por isso, o francês Renaud Lavillenie e o norte-americano Sam Kendricks (medalhistas de prata e bronze nos Jogos do Rio, respectivamente) mostram regularidade. Para o brasileiro, a bagagem dos adversários tem feito diferença.

"A vida deles já tinha resultado por trás, eu sou só campeão olímpico, não sou campeão mundial adulto. Eles já têm a vida toda organizada, eu não. Foi um rebuliço. É um momento de as pessoas começarem a entender como funciona para o atleta. Está mudando muito a minha vida e estou tendo de organizar tudo isso", justificou.

RECORDE MUNDIAL

No que depender de Petrov, a vida de Thiago mudará ainda muito mais no ciclo olímpico até os Jogos de Tóquio, em 2020. O próximo objetivo do treinador é ver seu pupilo quebrar o recorde mundial do salto com vara, que hoje é de 6,16 metros e pertence a Lavillenie. O campeão olímpico aceita o desafio, mas reconhece que tal meta exige um grande sacrifício.

"Sei o que sofri para saltar 6 metros, já fico aflito com a ideia de que vou ter de me esforçar de novo e dói. Não é fácil. Mas quero muito saltar além dos seis metros, vou me preparar para isso e vou passar", projetou.

Para fazer seu atleta voar mais alto, o treinador precisa dosar três elementos: corpo elástico, força e velocidade. Será a equação correta que vai colocar Thiago Braz no topo novamente. "Agora estou ganhando um corpo elástico, depois ele começa a cuidar dos meus músculos para ganhar um pouco mais de força e, em seguida, ele coloca velocidade para fazer a ativação de tudo isso", explicou. 

Além disso, será preciso adaptar o equipamento nas próximas temporadas para que suporte mais força. "Pode ser que a gente precise de outra vara ou duas, no máximo."

Esse processo de reformulação nos treinos também tem afetado os últimos resultados do campeão olímpico. O superintendente de alto rendimento da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Antonio Carlos Gomes, acredita que abrir mão do pódio em busca de um recorde é positivo para o atletismo nacional. "Se começa a treinar para a próxima competição, ocorre sucateamento e não tem um projeto para medalha lá na frente", comentou.

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