Thiago festeja recorde aos pés do Cristo

Com oito medalhas, nadador agora mira Phelps e Pequim

Michel Castellar, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2026 | 00h00

Uma das sete novas maravilhas do mundo, o Cristo Redentor foi deixado ontem de lado pelos turistas que pararam para reverenciar o nadador Thiago Pereira, durante sua visita ao monumento. Mas, o atleta sabe que a fama obtida com a chuva de medalhas no Pan-Americano do Rio precisa ser bem administrada, principalmente para evitar criar uma falsa expectativa nos torcedores de que na Olimpíada de Pequim o fenômeno de vitórias voltará a se repetir.''''Sei como é uma Olimpíada e como é um Pan-Americano. No Pan são só os nadadores das Américas e na Olimpíada entra o mundo inteiro. Muita gente ficou de fora aqui'''', disse Thiago Pereira. ''''Sei quem são meus adversários e vou correr atrás. Espero estar até melhor do que no Pan para brigar com o (Michael) Phelps'''', afirmou o campeão.O nadador norte-americano Michael Phelps é o atual recordista mundial das duas principais provas de Thiago: os 200 metros medley, com o tempo de 1min54s98, e os 400 metros medley, 4min06s22.Até para evitar um vexame na China, Thiago já decidiu que participará somente dessas duas provas, além dos revezamentos 4 x 200m medley, 4 x 100m livre e 4 x 200m livre. Há ainda a possibilidade de o brasileiro nadar os 200m peito. E se o objetivo é mesmo brigar com Phelps, Thiago precisa melhorar. Seu recorde sul-americano, obtido nos 200m medley durante o Pan, 1min57s79, ainda é insuficiente para lhe dar o sonhado ouro olímpico em Pequim. Nos Jogos de Atenas, em 2004, ele terminou na quinta posição dessa prova.''''Na natação, o mais complicado é que a gente não sabe quantos segundos vai baixar. Espero estar nadando no ano que vem na casa dos 1min56s, 1min55s (nos 200m medley)'''', comentou Thiago.O nadador brasileiro não teme iludir o torcedor com as seis medalhas de ouro (nos 200m e 400m medley, 200m costas e peito, além dos revezamentos 4 x 100 m e 4 x 200 m livre), que lhe deram o recorde de maior medalhista em uma edição do Pan - ao lado do ginasta cubano Eric Lopez, vencedor de seis provas em Santo Domingo, em 2003 - além da medalha de prata no revezamento 4 x 100m medley e bronze nos 100 m costas. Thiago afirma que o público entenderá a diferença entre disputar uma competição continental e a Olimpíada.Mas, por enquanto, o que ele quer é festejar todas as medalhas conquistadas no Rio. Apesar de não ser católico - ele diz que é espírita -, o nadador não escondeu a emoção por estar aos pés da imagem do Cristo Redentor e por receber o reconhecimento dos torcedores que estavam no local.''''Vou continuar a ser eu mesmo. Estou me adaptando a todo esse assédio e vou fazer o máximo para que as coisas de fora não me atrapalhem'''', declarou o nadador. ''''Estou nas nuvens. Nem sei o que dizer. Não tenho palavras para expressar todas as medalhas, conquistas e o carinho que recebi.''''Questionado sobre o futuro, Thiago afirma que quer obter bons resultados para se superar e ajudar a melhorar o nível da natação brasileira. O principal sonho é o de ver a modalidade conquistar a primeira medalha de ouro em uma edição olímpica.''''Temos de trabalhar para ver, quem sabe, daqui a dez, quinze anos a natação do Brasil no nível que todos queremos'''', disse. ''''O Gustavo (Borges) e o Xuxa (Fernando Scherer) abriram as portas. Eu estou fazendo a minha parte com os outros nadadores. E mais gente vem aí para ajudar.''''

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