Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

Thiago Paulino fatura 1ª medalha do Brasil no Mundial de Atletismo Paralímpico

Paulista crava a marca de 14,31 metros e conquista o ouro no arremesso de peso F57

Glauco de Pierri, enviado especial a Londres*, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2017 | 17h06

"Eu precisei perder parte do meu corpo para entender o dom que Deus me deu. Eu não era um bom exemplo, vivia na balada, era briguento". Aos 31 anos, Thiago Paulino conquistou sua maior honra esportiva em sua carreira. Medalha de ouro no arremesso de peso, classe F57 (para amputados de membros inferiores) no Mundial de Atletismo Paralímpico em Londres, o atleta, um paulista cheio de orgulho da cidade onde nasceu, Orlândia, celebrou a vida ontem, no Estádio Olímpico da capital britânica. 

Ex-segurança de um shopping center, Thiago deu ao Brasil a primeira medalha em Londres-2017 ao arremessar o peso a 14,31 metros. Após a confirmação do ouro, saiu com a bandeira brasileira nos ombros, acenando para o público, e foi ovacionado pelos britânicos que foram ao parque Rainha Elizabeth. Ele perdeu a perna esquerda em um acidente de moto em 2010, quando comemorava a primeira gravidez de sua esposa, Raquel. 

"Eu usava a minha força da forma errada. Tive que mudar os planos da minha vida da noite para o dia. Mas eu só tenho a agradecer. A melhor coisa que aconteceu foi esse acidente, que me transformou no homem, no pai de família e no atleta que eu sou", diz Thiago, eufórico com a chegada do segundo filho, Heitor, que vai nascer no mês que vem - Lavínia, a mais velha, faz seis anos no dia 26.

Thiago busca inspiração em personagens de sua vida. Cita os colegas do grupo 'Belezoca'. Lembra do amigo Edinho, com quem cresceu junto e também alimentava o sonho de defender o time de futsal da cidade, o famoso Intelli Orlândia. "Quando a gente é criança, a gente sonha. A gente crescia vendo os jogos do Intelli, e sonhava em jogar em um estádio lotado, em uma quadra lotada. Eu tenho muito orgulho de falar do clube ADC Intelli Orlândia". Fala do pai, seu Genésio, da mãe, Marilda, e do irmão, Marcus Vinicius.

Se emociona ao falar de Carlos Silva, o diretor do clube em que sonhou jogar bola, mas que foi defender como para-atleta. "Ele chorou comigo nas derrotas e agora vai chorar com essa vitória."

E o futsal? "Por incrível que pareça, eu jogava de ala esquerda, sou canhoto de perna e mão, e ainda tirou logo a canhota. Falei 'ó não dá certo isso ai, deixa quieto isso ai e vai arremessar que é melhor'. Deu certo." 

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