Satiro Sodré/SSpress
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Thiago Pereira cobra legado dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016

Medalhista olímpico, nadador endossa coro de atletas que clamam por mudanças no esporte brasileiro

Nathalia Garcia, enviado especial, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 05h12

SANTIAGO - O nadador Thiago Pereira é mais um atleta a engrossar o coro dos que esperam que os Jogos Olímpicos do Rio sejam um divisor de águas para o esporte brasileiro. Pensando nas próximas gerações, a sua principal preocupação é com um possível corte de investimento no período que sucederá a competição. "Espero que a gente consiga utilizar essa Olimpíada para alavancar o pós, que fique um legado e nada se acabe em 2016. Precisamos dar continuidade porque vai ter 2020, 2024 e uma nova edição a cada quatro anos."

 

Todo grande evento multiesportivo tem o potencial de contribui para a renovação das modalidades de duas maneiras. A primeira ocorre nos anos que o antecedem pela necessidade de encontrar novos talentos que ajudem o país a obter bons resultados e, consequentemente, medalhas. A segunda é posterior ao ciclo olímpico por permitir que o povo conheça os atletas e crie uma identificação com eles.

 

Para o nadador, o trabalho prévio está bastante atrasado e deveria ter sido iniciado entre 2008 e 2010. "Em dois anos e meio é difícil você criar uma base grande e ir com uma baita seleção para os Jogos. Muita coisa vai mudar, mas a cobrança não pode ser a mesma", comenta.

 

Quanto ao futuro, ele acredita que, mesmo o Brasil sendo o País do futebol, há espaço para colocar os esportes olímpicos em evidência. Thiago aponta que hoje o povo brasileiro carece de um ídolo e ele trabalha para mudar esse cenário. "É fácil uma criança nascer e ver um Neymar. Isso falta para os outros esportes. Um ou outro vem se destacando, mas não tem aquela coisa de eu quero ser um Giba, no vôlei. A gente teve um Guga, o que aconteceu com o tênis do Brasil?"

 

O atleta também não exime o povo brasileiro de culpa por essa situação e critica o pensamento dominante de valorizar apenas a medalha de ouro. Ele gostaria de "colocar na cabeça" das pessoas que os esportistas que estarão na Olimpíada serão os melhores representantes do País naquele momento, mesmo que fiquem com a prata, o bronze ou ainda fora do pódio. E ele recorda o feito obtido pelos irmãos Falcão, do boxe, nos Jogos de Londres.

 

"Eles não tinham estrutura para treino e mostraram o potencial deles. Você não pode cobrar de uma pessoa além do que ela teve. Então, como você vai falar: 'Mas foi bronze'. Ninguém tem noção de como os nossos atletas penaram para estar ali representando o Brasil."

 

LIDERANÇA

Aos 28 anos, Thiago Pereira começou a sentir falta de uma energia contagiante na equipe brasileira de natação, o que despertou nele uma necessidade de agir e tentar promover a integração dos veteranos com os novatos. Com a ajuda de Henrique Barbosa, preparou uma atividade motivacional para o grupo reunido no Chile na tentativa de quebrar a barreira que existe entre eles. E o nadador conta que está dando certo e torce para os mais jovens deem continuidade ao trabalho que está sendo feito.

 

A experiência também tem o ajudado a esperar pela próxima Olimpíada com mais tranquilidade. A conquista da prata nos Jogos de Londres deixa Thiago mais à vontade para competir "Se a medalha não tivesse vindo, minha cobrança pessoal seria muito maior porque a gente sabe que tudo tem um limite e vai ficando cada vez mais difícil. Mas o meu grande sonho dentro da natação eu realizei e isso me tira uma tonelada das costas", afirma.

 

O fato de ter vencido Michael Phelps nas piscinas é motivo de orgulho para o brasileiro. E o grande rival pode estar de volta às piscinas em 2016, já que seu nome aparece na lista de teste antidoping da Fina (Federação Internacional de Natação). Thiago vê o retorno do americano como um estímulo e acredita que só chegou a nadar tão rápido por causa do alto nível de Phelps, de Ryan Lochte e do checo Lázló Cseh.

 

O brasileiro sente-se lisonjeado por ter feito parte de uma geração "única" e imagina o dia que poderá contar para os filhos e netos as suas grandes conquistas. "Medalhas e recordes, isso tudo passa. O que fica são as memórias e as amizades que a gente faz nesse período. São as coisas que dou mais valor em tudo o que tenho até hoje."

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