Joe Cavaretta/ AP
Joe Cavaretta/ AP

Thiago Pereira se torna o maior medalhista da história do Pan

Brasileiro supera Erick López com 23 pódios: 'Meu grande objetivo'

Nathalia Garcia e Paulo Favero, ENVIADOS ESPECIAIS A TORONTO, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 22h43

Com duas medalhas na piscina do Centro Aquático nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, nas provas 200 m medley e revezamento 4 x 100 m medley, Thiago Pereira finalmente superou a marca do ex-ginasta cubano Erick López e se tornou, com 23 pódios, o recordista de medalhas da competição. E o feito ocorreu justamente no último dia de disputa, na prova derradeira do calendário.

"Foi um Pan-Americano que queria ter nadado mais rápido algumas provas em geral, mas consegui meu grande objetivo que era colocar o País dentre os maiores recordistas dos Jogos Pan-Americanos", festeja.

Thiago fez 1min57s42 nos 200 m medley e ficou com a prata, prova vencida pelo brasileiro Henrique Rodrigues. O nadador ainda viu os companheiros levarem o ouro no revezamento 4 x 100 m medley, somando mais uma a sua conta por ter integrado o quarteto na etapa classificatória. Nesta edição, ficou sem medalha de ouro individual.

Ele até poderia ter igualado o feito histórico antes nos 400 m medley, sua prova preferida, na qual foi prata nos Jogos Olímpicos de Londres, deixando para trás o mito Michael Phelps. No entanto, foi desclassificado por errar a virada na passagem do nado peito para o estilo livre e teve de esperar até ontem para bater o recorde.

"Sabia que nosso País precisava de mim de volta na equipe, não podia deixar que isso me abalasse. E também não tem muito o que choramingar, aconteceu, vamos levantar a cabeça e vamos para a próxima. O dia passou e não tinha mais o que eu pudesse fazer. Aproveitei para descansar e vim para hoje (sábado) com tudo."

A marca do brasileiro foi alcançada em quatro edições do Pan, as mesmas quatro vezes que López disputou. No desempate, o cubano ainda leva vantagem por ter mais ouros (18 contra 14).

A caminhada de Thiago para a conquista do recorde começou em 2003, no Pan de Santo Domingo, quando ele tinha apenas 17 anos. "Agora eu já consigo ver como aquelas medalhas foram importantes para que eu atingisse o recorde", explicou o atleta, que ganhou uma prata nos 200 m medley e um bronze nos 400 m medley.

Ele também relembra o episódio da difícil classificação para o Pan de 2003 e vê semelhanças na história vivida em Toronto. "Fui conquistar a vaga justamente na prova dos 200 m medley, no último dia de competição, na última prova. Foi um pouquinho do que aconteceu aqui", compara.

O garoto de Volta Redonda chocou o esporte na edição seguinte, no Rio de Janeiro, em 2007, quando conquistou no Pan seis medalhas de ouro (200 m medley, 400 m medley, 200 m costa, 200 m peito, 4 x 100 m livre e 4 x 200 m livre), uma de prata (4 x 100 m medley) e uma de bronze (100 m costa).

Já no Pan de Guadalajara, em 2011, Thiago teve o mesmo desempenho do Rio de Janeiro, com a conquista de oito pódios, sendo seis medalhas de ouro (100 m costa, 200 m costa, 200 m medley, 400 m medley, 4 x 100 m livre e 4 x 100 m medley), uma de prata (4 x 200 m livre) e uma de bronze (200 m peito).

Com o retrospecto positivo ele chegou a Toronto com a missão de primeiramente derrubar a melhor marca nacional, que pertencia ao ex-nadador Gustavo Borges, dono de 19 medalhas nas edições do Pan que disputou. E nos dois primeiros dias ele deixou o ídolo para trás ao ganhar dois ouros (4 x 200 m livre e 4 x 100 m livre) e um bronze (200 m peito).

Aos 29 anos, Thiago evita projetar uma nova participação nos Jogos Pan-Americanos. Ele está com foco no Mundial de Kazan, em agosto, na Rússia, e na Olimpíada do Rio, no próximo ano. Mas não descarta buscar novas marcas no Pan de Lima, em 2019, quando poderá aumentar a vantagem na liderança do ranking.

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