Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Thiago Pereira supera pressão para chegar ao recorde

Nadador fala sobre desclassificação nos 400m medley e volta por cima para se tornar maior medalhista

Entrevista com

Thiago Pereira

Paulo Favero, enviado especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 07h00

Um dia depois de entrar para a história como recordista de medalhas dos Jogos Pan-Americanos com 23, Thiago Pereira deu uma entrevista. E falou sobre seu feito e o futuro. 

Qual o balanço que você faz de sua participação no Pan?

É uma competição que ajuda a saber a dificuldade que vai ser no ano que vem na Olimpíada. Este ano está sendo bom como aprendizado. Seja esse Pan-Americano, seja o que teremos de enfrentar no Mundial em Kazan, depois no Troféu José Finkel... Vai ser uma competição atrás da outra. E ainda vou ter compromissos com meus patrocinadores logo depois do Mundial. Mas faz parte, tenho de curtir isso também.

A demora em conseguir o recorde foi um peso sobre você?

Com o tempo você vai aprendendo com a experiência e os momentos. A cada ano a gente aprende mais. Este Pan, independentemente da experiência que eu tenho, foi um baita aprendizado. A desclassificação nos 400 m medley foi um aprendizado.

Houve muita pressão?

Chega um momento em nossa carreira em que as pessoas acabam criando uma expectativa para os resultados. Não tem jeito. A partir do momento que você atinge um estágio no esporte, precisa aprender a conviver com isso. Faz parte do jogo. Qualquer grande atleta passa por isso. Eu pensei dia a dia. Mas é claro que a contabilidade esteve sempre lá, no subconsciente. O pessoal sempre falando que faltam três, faltam duas, falta uma. Isso acaba entrando na sua cabeça.

Você sofreu muito com a perda da medalha?

Com todo o carinho que recebi dos fãs e da família, com mensagens de apoio, me senti ainda mais acolhido e querido. Isso me deixou bastante motivado e me deu forças para apagar aquilo e partir para a próxima. Eu vi que não era só o Thiago que estava competindo e buscando aquele recorde, era um país inteiro.

Do ponto de vista individual, você sai do Pan realizado?

Não é só o Thiago, é mais gente. Antes de mais nada, somos um time. No fim das contas, no quadro de medalhas quem aparece é o Brasil. Isso é fundamental para o crescimento do esporte. Tem de começar a colocar a bandeira acima de tudo nesses eventos maiores

Quanto tempo acha que vai durar sua marca?

Vamos deixar rolar. Eu mesmo não sabia que iria alcançar essa marca em 2003, quando disputei o meu primeiro Pan. Um dia, alguém vai bater. Todos os recordes estão aí para serem batidos. Não sei quanto tempo vai durar, mas até lá vou aproveitar.

Olhando para trás, valeu à pena o esforço para chegar aqui?

Eu tive de abrir mão de muitas coisas. Em muitos eventos familiares eu deixei de participar. No último fim de semana mesmo deixei de ir ao casamento do meu primo, onde eu seria padrinho. Faz parte. São momentos em que você sente por não estar ao lado da sua família, mas, ao mesmo tempo, está buscando um sonho. Muitas vezes,você tem 20 ou 21 anos e quer sair, fazer o que bem entender. Todo mundo tem o direito de viver momentos assim. Mas ser cabeça dura não te ajuda em nada. Tudo na vida tem de ter equilíbrio. Na vida pessoal, no treino ou no trabalho. Uma coisa em excesso vai prejudicar outras.

Tem uma nova geração chegando com força. O que dá para esperar dela?

Nosso próximo encontro é nos Jogos Olímpicos. Para os mais novos aproveitarem e, para quem ficou fora do Pan, é preciso batalhar. Porque ninguém está garantido.

Você ganhou do Phelps em Londres. Será que ele está no Rio, em 2016? Seria o encontro do maior medalhista olímpico com o maior medalhista do Pan.

Ele vai estar lá. Não tem como não estar. É o Phelps. Maior da história. Um cara que mostrou a diferença do possível e do impossível. E é um cara que faz a diferença para todos. Ele ajudou a evoluir a natação. 

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