Thiago Silva não gostou de sair do Milan

O capitão da seleção ficou chateado por ter sido vendido ao PSG, mas garante que está focado na luta pelo ouro

SAINT ALBANS, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h03

É possível um jogador ser protagonista de uma negociação milionária e mesmo assim não se sentir feliz? A resposta é sim, se o personagem em questão for Thiago Silva. No último fim de semana, o Paris Saint-Germain anunciou a contratação milionária do zagueiro, mas está claro que o ex-jogador do Fluminense não queria deixar o Milan. Ele, aliás, não faz muita questão de esconder isso.

Desejado por vários clubes importantes da Europa, como o Barcelona, Thiago Silva acreditava que ficaria no Milan porque havia acabado de renovar seu contrato até 2017. Só que o clube italiano precisava de dinheiro e isso é o que não falta atualmente no PSG, comprado por investidores do Catar - a imprensa europeia divulgou que o clube francês pagou algo em torno de 45 milhões (R$ 111,5 milhões), o que faria dele o zagueiro mais caro da história do futebol.

Ontem, em Saint Albans, Thiago até tentou manter as aparências ao dizer que ir para a França é algo bom para ele, mas logo o zagueiro deixou claro o que realmente está sentindo. "Sair do Milan me deixou triste porque não foi decisão 100% minha, tanto que eu havia acabado de renovar o meu contrato. Eu e minha família não tínhamos a intenção de sair de Milão."

O que mais machucou Thiago foi saber que torcedores do Milan o tacharam de mercenário por supostamente ter se rendido aos euros dos donos do PSG. O capitão da seleção brasileira, no entanto, jura que não trocou de clube por dinheiro. "As pessoas me chamam de mercenário sem saber o que está acontecendo. Eu vou para o Paris para ganhar o mesmo que ganhava no Milan, o mesmo valor do contrato que eu havia renovado. Não foi culpa minha ter saído do Milan". Segundo jornalistas franceses, o salário de Thiago é de 7,5 milhões (R$ 18,6 milhões) por ano.

Focado. Apesar da evidente tristeza por ter deixado o Milan, Thiago ao menos está aliviado por finalmente poder se dedicar apenas à seleção. Ele admitiu ontem que na semana passada, quando as negociações entre Milan e PSG ainda existiam, estava difícil se concentrar apenas nos treinos que o time brasileiro fazia no Rio de Janeiro.

"Vou ser bem sincero, às vezes (uma transferência) atrapalha. Você está focado em uma competição importante como a Olimpíada, aí entra em um site e vê que pode ir para cá ou para lá. Foi difícil para mim", contou o capitão. "Agora que tudo se resolveu estou focado só na seleção. Só espero que os jogadores mais jovens que também estão nessa situação saibam lidar com isso, porque não é fácil."/ M.S.A.

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