JulioCortez/AP
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'Thyê está muito abalado', diz advogado de atleta

Goleiro de polo aquático é acusado de assédio sexual no Pan

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 20h18

À frente da defesa do atleta Thyê Mattos, acusado de abuso sexual durante o Pan-Americano Canadá, o advogado Marcelo Franklin espera ter acesso nos próximos dias à investigação aberta pela polícia local contra o goleiro da seleção masculina de polo aquático. Obter informações precisas sobre as acusações e eventuais provas apresentadas pela jovem canadense contra seu cliente é fundamental para estabelecer a estratégia de defesa do brasileiro.

"O atleta se declara inocente e sem conhecer o processo e as provas não há porque alguém acreditar no contrário", diz Franklin.  O advogado conta que só conversou com Thyê por telefone da Rússia, para onde o atleta seguiu após os Jogos Pan Americanos de Toronto para participar do Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos. Após o episódio vir à tona ele acabou desligado da competição, mas Franklin não confirma se já está  no Brasil. 

"O que posso dizer é que ele está muito abalado, mas confiante de que vai conseguir provar que não praticou nenhum ato ilícito", afirma o advogado esportivo contratado pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). 

No sábado a CBDA divulgou uma nota oficial em que destaca que tanto pela legislação brasileira quanto pela canadense, todos são presumidos inocentes até prova em contrário. A entidade diz que só foi informada das acusações verbalmente pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e depois pela imprensa. Não houve comunicação oficial das autoridades canadenses.

O advogado de Thyê frisa que o crime de abuso sexual no Canadá tem uma definição muito abrangente, englobando desde um abraço não consentido até o estupro. Em função disso, as penas podem passar por medidas sócio-educativas, multa e até prisão por até dez anos. "Pode ser uma acusação muito séria ou algo banal. O que quero é saber onde estamos pisando para depois tomar um posicionamento correto. Seria leviano fazer um prognóstico antes de conhecer os fatos", afirma. 

Embora reconheça que a polícia de Toronto agiu dentro da legislação canadense ao divulgar a identidade do brasileiro e mesmo ao pedir sua prisão, o advogado considera que isso gerou uma exposição excessiva da imagem de seu cliente. "Para a opinião pública mundial ele foi considerado culpado antes de ter a oportunidade de se defender", critica. 

O advogado descarta a possibilidade de Thyê Mattos ser preso agora, já que o Brasil e a Rússia - considerados seus possíveis destinos - não têm tratado bilateral de extradição com o Canadá. Em princípio Franklin não irá ao país e aguardará as informações de advogados contatados em Toronto, que deverão atuar em parceria com o brasileiro no caso. 

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