Jamie Squire/ AFP
Jamie Squire/ AFP

Tiger Woods treina no campo de golfe e pode participar do Masters de Augusta após acidente grave

Americano, que está tentando voltar ao esporte depois de sofrer lesões importantes na perna em capotamento de seu carro em fevereiro do ano passado, disse que jogar nesta quinta-feira seria uma 'decisão na hora do jogo'

Bill Pennington, The New York Times

07 de abril de 2022 | 10h00

No domingo, ao final de um treino praticamente vazio, a poucos dias do Masters Tournament, Tiger Woods estava de volta ao seu habitat natural. Em um dia ensolarado com temperaturas próximas a 27ºC, um sorridente Woods deu cerca de trinta tacadas fluidas, se apoiando no taco para ver as bolinhas desenhando arcos altos contra o céu azul.

Sempre brincando com Joe LaCava, seu caddie de longa data, Woods deu a impressão de que os três meses que passara confinado a uma cama após seu acidente de carro quase fatal no ano passado eram só uma memória distante.

Depois de sua sessão de dezesseis minutos de treino, um risonho Woods acenou para os repórteres que estavam por perto e se dirigiu aos nove buracos finais do Augusta National Golf Club para mais uma rodada. Ainda não se sabe se Woods jogará no Masters Tournament deste ano, que começa na quinta-feira.

Na manhã de domingo, ele escreveu no Twitter que estava voando para Augusta para continuar treinando e se preparando. Mas disse que competir seria “uma decisão na hora do jogo”.

Woods, 46 anos, que está passando por uma árdua reabilitação na perna direita reconstruída por cirurgias desde que seu SUV capotou em alta velocidade na região de Los Angeles em 23 de fevereiro de 2021, chegou a Augusta vindo da Flórida, onde mora, em jato particular por volta das 13h30 no domingo.

Ele entrou no amplo campo de treinos do Augusta National às 15h21 vestindo camisa coral, calça preta e sapatos pretos. Estava mancando um pouco da perna direita. Mas, quando dava tacadas, parecia suave, deslocando o pé direito para se equilibrar no esquerdo e completar o movimento com sucesso.

Embora LaCava tenha deixado três sacos de bolas nos seus pés, Woods parou de dar tacadas com apenas algumas bolas restantes no primeiro saco, parando para cumprimentar e abraçar Billy Horschel, seu colega do PGA Tour que estava treinando perto dali. Depois de alguns minutos, Woods foi para o campo de golfe.

Mais ou menos no mesmo momento, o Augusta National adicionou Woods a uma lista de jogadores agendados para dar coletivas de imprensa na terça-feira. Seria razoável esperar que Woods fizesse outra rodada de treinos na segunda-feira, especialmente com chuva forte e tempestades previstas para terça-feira.

O quinze vezes campeão tem a reputação de querer vencer nas circunstâncias mais desafiadoras e, com base em suas tacadas no domingo, ele recuperou algo das suas proezas no golfe. Mas jogar no Augusta National, um percurso extenso e conhecido por suas implacáveis mudanças de altitude, pode ser um desafio assustador. Na quarta-feira, em uma chamada de vídeo com repórteres, Curtis Strange, bicampeão do Aberto dos Estados Unidos e hoje comentarista de golfe da ESPN, caracterizou o Augusta National como “a caminhada mais difícil do golfe”.

Outro bicampeão do US Open, Andy North, que também é comentarista da ESPN, disse que achava que o British Open seria o lugar mais provável para Woods retornar às competições porque o local deste ano – St. Andrews – é “plano e tem uma caminhada fácil”.

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Augusta é o último lugar que você pensaria que ele conseguiria jogar
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Andy North, ex-jogador e comentarista da ESPN

Mas, desde o acidente, Woods, que conquistou seu primeiro título de Masters há 25 anos, em 1997, administrou cuidadosamente as expectativas – do mundo do golfe e, talvez, dele próprio – quanto a um retorno ao circuito.

Em meados de fevereiro, antes do Genesis Invitational, Woods disse em entrevista coletiva que havia trabalhado principalmente nas tacadas curtas, mas não tinha se dedicado “seriamente” a seu jogo mais longo por causa da perna direita.

“Ainda estou trabalhando na parte da caminhada”, disse Woods na época. “Meu pé estava meio ruim um ano atrás, então a parte da caminhada é uma coisa em que ainda estou trabalhando, trabalhando em força e desenvolvimento. Leva tempo. O frustrante é que não sou eu quem decide o tempo. Quero estar em determinado lugar, mas não estou. Então só tenho que continuar trabalhando. Estou melhorando, sim. Mas, como disse, não no ritmo e na velocidade que eu gostaria”.

Em meados de novembro, em sua primeira aparição pública desde o acidente, Woods colocou em dúvida sua capacidade de retornar a uma condição física que lhe permitiria ser competitivo e vencer no PGA Tour.

Woods, que em 21 de novembro postou nas redes sociais um pequeno vídeo de si mesmo dando uma tacada, disse que esperava jogar golfe competitivo novamente em algum momento, mas não apresentou nenhum cronograma e descartou um retorno em tempo integral ao PGA Tour.

“Consegui esse último torneio importante”, disse Woods em entrevista coletiva no dia 30 de novembro, lembrando sua impressionante vitória de 2019 no Masters, o evento mais assistido do golfe, aos 43 anos de idade.

Em dezembro, Woods jogou 36 buracos com seu filho Charlie no PNC Championship. O formato permitia o uso de carrinho, e Woods estava mancando e sofria com alguns movimentos da perna direita. Woods sofreu fraturas expostas em vários lugares da tíbia e da fíbula na perna direita. Ele passou um mês no hospital e os médicos avaliaram a possibilidade de amputar sua perna.

“Foi uma longa jornada”, Woods disse em novembro, nove meses depois do acidente. E acrescentou: “Não vejo esse tipo de avanço para mim. Vai ter que ser de uma forma diferente. Estou em paz com isso. Já me reergui várias vezes”.

No Masters de 2020, disputado em novembro e não em abril por causa da pandemia, Woods teve dificuldades e terminou empatado em trigésimo-oitavo. Mas foi o Masters de 2019, sua primeira vitória nos principais torneios em onze anos, que fez qualquer desafio parecer possível.

Depois de passar por várias cirurgias nas costas e no joelho, Woods não era considerado um candidato sério naquele ano, mas na rodada final ele jogou seu melhor golfe, fazendo birdie em três dos seis buracos finais para ganhar seu quinto título de Masters. Quando ele acertou a tacada vencedora no buraco 18, comemorou com um grito primal enquanto milhares de fãs rugiam ao redor.

Dois anos antes, Woods havia ficado em 1.119º lugar no mundo. Seu retorno, dadas suas dificuldades fora do campo, está entre as maiores da história do esporte. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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