KABC-TV via AP
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Tiger Woods voltará a jogar golfe novamente? Médicos preveem recuperação difícil

Depois do grave acidente de seu carro na terça-feira, ele corre o risco de infecções, seus ossos podem não ser reparados e há fraturas nos tornozelos que o impedem de andar

Gina Kolata, The New York Times

26 de fevereiro de 2021 | 09h00

As graves fraturas na perna sofridas por Tiger Woods no acidente de carro na terça-feira normalmente exigem uma longa e perigosa recuperação, o que levanta dúvidas quanto à possibilidade de ele jogar golfe profissionalmente novamente, afirmam especialistas que já trataram outros casos de lesões similares.

Atletas com graves fraturas na perna que achavam que sua carreira estava acabada conseguiram se recuperar - foi o caso do quarterback Alex Smith, que voltou a jogar na última temporada depois de um terrível fratura da perna, e do golfista Ben Hogan que retornou ao campo décadas atrás depois de um acidente de carro.

Mas os ferimentos sofridos por Tiger Woods são mais amplos e o caminho da recuperação será permeado de sérios obstáculos. Infecções, uma reparação dos ossos inadequada, além de lesões sofridas anteriormente e problemas crônicos nas costas podem significar uma recuperação que durará meses, ou anos, mais difícil, reduzindo as chances de ele jogar novamente.

No acidente perto de Los Angeles, a perna direita de Woods foi esmagada e seu pé direito ficou gravemente lesionado, os músculos da perna incharam tanto que os cirurgiões tiveram de abrir o tecido que os cobre para aliviar a pressão. Anish Mahajan, diretor da área médica do Harbor-UCLA Medical Center onde Woods, 45 anos, foi atendido, escreveu uma mensagem no Twitter falando sobre a situação do golfista.

Os médicos também colocaram uma haste na tíbia, parafusos e pinos no seu pé e tornozelos. Médicos especializados nesse tipo de lesão descreveram as complicações que elas normalmente provocam.

Essas lesões são observadas com frequência em motoristas que se envolvem em acidentes de carro, afirmou R. Malcom Smith, diretor da unidade de ortopedia do UMass Memorial Medical Center em Worcester. Normalmente ocorrem quando o motorista pisa desenfreadamente no freio do carro ao perder o controle do veículo.

Quando a parte dianteira do carro é esmagada, uma imensa força é transmitida para o pé e a perna direita do condutor. “Isto acontece diariamente em acidentes de carro neste país”, disse Smith.

As fraturas na perna acarretam uma “enorme incapacidade” e outras graves consequências, segundo o médico. “Numa estimativa grosseira, existe uma chance de 70% de uma recuperação completa”, ele acrescentou.

No acidente de Woods sofreu inúmeras lesões. Sua tíbia foi esmagada, com rompimentos primários nas partes superior e inferior dos ossos, e os fragmentos dos ossos despedaçados danificaram músculos e tendões.

O trauma causou sangramentos e inchaço da perna, ameaçando seus músculos. Os médicos tiveram de rapidamente perfurar uma camada do tecido grosso que cobre os músculos da perna para reduzir o inchaço. Se o procedimento não fosse realizado, o músculo inchado agiria como um torniquete, comprimindo o fluxo de sangue.

É possível que alguma parte do músculo tenha morrido entre o acidente e a cirurgia. “E quando você perde, não recupera mais”, disse o médico.

Pacientes que são submetidos a este procedimento têm de permanecer no hospital até o inchaço desaparecer, o que dura uma semana ou mais. Às vezes, mesmo depois de várias semanas esse edema não regride o suficiente para fechar a ferida, e assim os médicos têm de fazer um enxerto de pele sobre a ferida aberta.

Kyle Eberlin, cirurgião plástico do General Hospital de Massachusetts, disse que perto dos buracos onde os ossos lesionam a pele, os médicos com frequência precisam fazer um transplante de pele da coxa ou das costas. Eles cortam um pedaço de pele, e, usando um microscópio, cuidadosamente reconectam os minúsculos vasos sanguíneos, de cerca de um milímetro de diâmetro, da pele transplantada para os vasos sanguíneos perto das lesões.

A infecção é um risco no caso de fraturas que rompem a pele e uma próxima cirurgia para enxertar hastes e pinos nos ossos, com a possibilidade de uma amputação nos casos mais graves, disse Smith. Uma possível infecção depende do grau de contaminação e do tamanho do ferimento. Em acidentes de carro, areia e às vezes sujeira entram nas feridas, aumentando a probabilidade de uma infecção. E abrir a pele que cobre os músculos também implica um risco de infecção, disse Reza Firoozabadi, cirurgião ortopédico no Harborview Medical Center em Seattle.

Em grandes clínicas ortopédicas, como o General Hospital de Massachusetts e a UCLA, o procedimento de reconstrução de pele é realizado dentro de 48 horas. Mas o mais comum é essa cirurgia ser feita dentro de uma semana depois da lesão.

A reabilitação é longa e onerosa. Se o caso de Woods exigir esse procedimento de enxerto de pele - o que para alguns cirurgiões é provável – “levará meses e meses até sua perna conseguir suportar peso novamente'', disse Eberlin.

O maior obstáculo são os ferimentos no pé e tornozelo. Retomar o movimento e a força levará de três meses a um ano. Dependendo da extensão das lesões, mesmo depois da reabilitação Woods poderá mal conseguir caminhar.

Com as lesões no tornozelo e no pé e graves ferimentos na perna, "Woods poderá nunca mais jogar golfe”, disse Malcom Smith.

Tradução de Terezinha Martino

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