Juan Ignácio Sienra/CBVela
Juan Ignácio Sienra/CBVela

Time brasileiro de vela testa raia olímpica no Japão

Atletas terão de lidar com o clima quente em Enoshima e com a possibilidade de tufões na região

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2018 | 05h00

O primeiro aquecimento para os Jogos de Tóquio terá início amanhã no Japão e vai até o dia 16. A partir de terça-feira (noite de segunda no Brasil, por causa do fuso horário), os barcos estarão nas águas de Enoshima para o evento-teste da vela.

Quatro brasileiros estarão presentes: Martine Grael e Kahena Kunze (49er FX), Patricia Freitas (RS:X) e Jorge Zarif (Finn). Além do teste esportivo no local, o evento possibilitará que a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) colha dados para ajudar os atletas nacionais na preparação para a Olimpíada de 2020.

“Teremos a contribuição de especialistas em meteorologia para auxiliar a equipe nas previsões e tendências a partir do que ocorrer ao longo dos dias de competição. Precisamos ter um trabalho consistente nesse sentido para ganharmos confiança conforme a gente comece a entender o local. Também estamos estudando a possibilidade de contar com um especialista local para nos ajudar”, explica Daniel Santiago, diretor executivo da CBVela.

Ele diz que neste primeiro momento é preciso focar no reconhecimento das raias de competição e nos aspectos meteorológicos, variações, correntes etc. “As condições das raias variam muito. Vamos encontrar períodos de vento fraco e pouca onda e dias com mais vento e ondas grandes, já que não são águas abrigadas. Tivemos a passagem de um tufão e já tem previsão de outro. Precisamos nos preparar para essas situações pouco ou nada comuns para os atletas brasileiros”, continua.

A campeã olímpica Kahena Kunze vai passar quase um mês no Japão para se adaptar melhor ao local. Ela sabe que essa vivência é muito importante para se dar bem em 2020. “É para testar o hotel e se adaptar às condições daqui, que é um lugar extremamente quente e úmido. Por isso temos de beber água a todo momento para se hidratar. Enfim, é um teste para a gente chegar em 2020 bem preparadas”, avisa a velejadora.

Ela conta que vários fatores precisam ser analisados nos treinos e na competição, como a raia e as condições de vento. Para além da parte técnica, o importante é estar bem localizada e habituada ao local que fica a cerca de 70 quilômetros de Tóquio, onde vai ocorrer a maioria das competições nos Jogos.

Outro ponto importante é a presença dos tufões, algo bem comum na região. “A cada duas semanas aparece um, então provavelmente vamos pegar algum durante os Jogos. As condições para se navegar depois de um tufão são bem extremas, tem bastante onda, então por isso que estamos aqui”, comenta.

Segundo Kahena, o calor é muito forte para quem veleja em Enoshima. “A gente fica suando o tempo todo”, diz. 

A velejadora vê semelhanças com Búzios, no Rio de Janeiro. “Por isso, já planejamos treinar lá com ondas e vento. E se parece também com Palma de Mallorca, que tem bastante onda.”

 

 

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