Time volta ao Pacaembu só na penúltima rodada Palmeiras joga para subir mais um degrau

Na corrida contra a degola, time recebe a Ponte Preta e conta com da torcida que promete lotar o Pacaembu

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h04

Durante toda a semana, muito se falou que o ambiente no Palmeiras mudou graças ao bom relacionamento dos jogadores com a nova comissão técnica e à vitória por 3 a 1 sobre o Figueirense, na última rodada. Diante da Ponte Preta, hoje, às 21h, no Pacaembu, será a chance de mostrar o quanto a confiança e o clima realmente mudaram e a esperança de sair da zona de rebaixamento se tornou algo mais real.

Vencer a Ponte, além de deixar o time mais próximo de sair da zona da degola, quebra um jejum de quase três meses. A última vez que o Palmeiras venceu dois jogos seguidos na temporada foi no dia 5 de julho, quando derrotou (2 a 0) o Coritiba, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. No jogo anterior, havia vencido o Figueirense por 3 a 1.

E para atingir a marca, o Palmeiras aposta na força de sua torcida. Ao longo da semana, a expectativa era de os torcedores mais uma vez comparecerem em peso ao Pacaembu, como aconteceu contra o Sport. Na ocasião, o time alviverde venceu por 3 a 1 diante de mais de 30 mil torcedores. Até a noite de ontem, 21 mil ingressos haviam sido vendidos para o confronto com a Ponte.

O adversário desta noite será especial para Gilson Kleina. Há menos de 15 dias ele dirigia a Ponte e hoje está do lado oposto. Embora a equipe de Campinas estreie Guto Ferreira como novo treinador, o time ainda deve ter muito das características do comandante palmeirense.

Mas o que poderia ser um favoritismo, para Kleina pode servir também como algo que preocupa ainda mais. "A gente conhece os 35 jogadores que estão lá, mas eles também me conhecem e sabem as jogadas que eu gosto de fazer. Uma coisa que eu sei e que vamos ficar ligados é que eles retomam a bola muito rápido, porque treinamos isso enquanto estive lá", disse Kleina.

Com a semana livre para trabalhar, o treinador+ também tenta dar sua cara ao Palmeiras, mas admite que ainda a torcida verá um pouco do time de Felipão. "Temos de vencer, mas também tentar colocar nossa forma de jogo, algo que deve acontecer a médio ou longo prazo."

Doze decisões. Mais do que um discurso pronto, os jogadores admitem que vencer a Ponte Preta é fundamental não só pela pontuação como pela confiança. "Temos 12 decisões e essa é a primeira. Temos que entrar em casa mantendo o mesmo ritmo. Essa semana foi especial porque conseguimos trabalhar em paz e arrumamos o que não estava dando certo", disse o goleiro Bruno, feliz pela rara semana de calmaria no clube.

Paz também teve o departamento médico, já que o único desfalque por lesão é Correa, que se recupera de um edema na coxa direita. Além, é claro, de Fernandinho, que continua sua recuperação de uma cirurgia e o restante do elenco está bem fisicamente. Para enfrentar a Ponte, Kleina também não poderá contar com Luan, suspenso pelo STJD (leia mais abaixo).

Kleina definiu o time com a volta de Artur para a lateral direita. No meio, Valdivia está confirmado, recuperado de dores musculares que o tiraram de dois treinos ao longo da semana.

Jejum do artilheiro. Barcos é o goleador do Palmeiras na temporada, com 21 gols e também o artilheiro da equipe no Brasileiro, com sete gols. Mas vive um momento inédito e contraditório no clube. O Pirata, como é conhecido, não faz um gol desde o dia 19 de agosto, quando balançou as redes contra o Atlético-GO. De lá para cá, foram sete jogos e nenhum gol, mas muita disposição e bons passes. "A bola tem chegado pouco, por isso tenho de tentar ajudar de alguma outra forma", explicou.

Por outro lado, Barcos foi convocado para a seleção argentina e enfrenta Uruguai e Chile pelas Eliminatórias. Azar do Palmeiras, que perde o atacante para as partidas contra Coritiba, Náutico e Bahia.

O tamanho do prejuízo pelas confusões ocorridas no clássico com o Corinthians ficou menor do que os dirigentes do Palmeiras esperavam. O clube foi punido com a perda de quatro mandos de campo e multa de R$ 40 mil e o atacante Luan foi suspenso por três jogos em julgamento realizado ontem no STJD.

A expectativa era que a punição pudesse ser ainda maior. Isso porque o Cruzeiro, por sua torcida ter sido atitude parecida com o clássico contra o Atlético-MG, perdeu seis mandos.

Com a punição, o Palmeiras vai mandar seus jogos no mínimo 100km de distância de São Paulo. A partida contra a Ponte hoje será ainda na capital já que os ingressos começaram a ser vendidos antes da punição, mas os jogos contra Coritiba, Cruzeiro, Botafogo e Fluminense serão no interior. Nos próximos dias, o clube deve oficializar que pelo menos o jogo contra o Coritiba vai ser em Araraquara.

O Palmeiras pode voltar a jogar em São Paulo na penúltima rodada, contra o Atlético-GO e nos jogos da Copa Sul-Americana. Na segunda-feira, a diretoria entra com recurso no tribunal pedindo a redução das punições.

No clube, já esperavam pela punição ao atacante, tanto que pela manhã seu nome já não constava na lista dos relacionados para a partida de hoje. Com a suspensão, Luan não enfrenta a Ponte, São Paulo e Coritiba, mas está livre para Sul-Americana.

O Palmeiras foi punido porque o árbitro, Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, relatou na súmula que a torcida atirou objetos no gramado, entre eles, um pedaço de encosto de cadeira.

Em relação a Luan, o árbitro escreveu que o atacante foi expulso por tentar agredir com um tapa e um chute o lateral Guilherme Andrade e em seguida se dirigiu a Marcelo Aparecido e disse: "Você é um ladrão filho da p... Vou te quebrar. Seu m... Cambada de ladrão". /D.B.

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