Timemania naufraga e não ajuda nenhum clube do País

SÃO PAULO - Lançada em 2008 para ajudar os clubes brasileiros a pagar suas dívidas, a Timemania é, até agora, um "furo n'água". A loteria é pouco atrativa para o apostador. Com isso, a arrecadação sempre esteve bem abaixo do valor projetado e, na prática, não ajudou nenhum dos 80 clubes participantes a reduzir seus débitos fiscais e tributários.

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2012 | 03h08

Em 2011, por exemplo, a arrecadação da Timemania foi cerca de R$ 160 milhões, pouco mais de 20% do esperado. Como apenas 22% desse valor são destinados ao pagamento das dívidas com a União, isso significa que apenas cerca de R$ 35 milhões foram usados para este fim.

Só o Botafogo, o maior devedor com base nos balanços de 2011, tem R$ 198 milhões de sua dívida total de R$ 318 milhões que poderiam ser pagos com a ajuda da Timemania. O Flamengo tem R$ 162 milhões passíveis de ser abatidos por meio desde dispositivo e o Fluminense, R$ 138 milhões.

Também há clubes com dívidas relativamente pequenas que podem ser quitadas com recursos da Timemania. O Atlético-PR, por exemplo, tem R$ 5 milhões; o Cruzeiro, R$ 15 milhões; e o Coritiba, R$ 21 milhões.

Mas o fato é que a loteria dos clubes não emplacou, apesar de já ter tido uma mudança até agora - passou de um para dois sorteios por semana, mas isso não representou aumento significativo na arrecadação.

Recentemente, o deputado Vicente Cândido, em conversa com o presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, mostrou-se a favor de um redirecionamento da Timemania, para que possa contribuir para programas de iniciação esportiva. O Estado tentou desde terça-feira falar com o deputado sobre essa sugestão e também sobre os seus planos para o Proforte, mas não foi atendido.

Quem também defende mudança na Timemania é o deputado José Rocha (PR-BA), presidente da Comissão de Desporto e Turismo da Câmara. Ele estuda alternativas para propor.

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