Times impõem suas condições

Mundial de 2010 terá as dez equipes de hoje mais três novas, mas desde que seja sem o limite de orçamento

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Primeiro foi a Williams, segunda-feira. E ontem as outras nove equipes que disputam a Fórmula 1. Todos estão inscritos no campeonato de 2010. Mas a Fota, a associação dos times, condicionou a presença à aceitação da sua proposta de redução de custos para os próximos três anos, sem o limite orçamentário de £ 40 milhões (cerca de R$ 130 milhões), exigido pelo presidente da FIA, Max Mosley. E mais: garantias de que as mudanças de regulamento sejam discutidas entre todos e não mais impostas pela FIA, à revelia das escuderias.Dia 12, Mosley vai anunciar as equipes que vão disputar a Fórmula 1 na próxima temporada. Há quatro novas e apenas três vagas: USF1, Campos, Prodrive e Lola. É o prazo da Fota também para que tudo seja definitivamente esclarecido. E deverá ser. As negociações entre os representantes da Fota e Mosley, em Mônaco, visavam a uma solução de compromisso entre as duas propostas de conter despesas. O próprio presidente da FIA manifestou-se, no Principado, concordando com a prorrogação da adoção do teto de investimento. Em resumo, as regras da Fórmula 1 em 2010 serão, em essência, as deste ano, mas sem o reabastecimento de combustível, algo desejado pelas próprias equipes. Com um orçamento de 120 milhões de euros (R$ 330 milhões) será possível lutar pelas vitórias. Estão fora desse total o gasto com salário de pilotos e ações promocionais. O desenvolvimento dos motores, um dos trabalhos mais caros, permanece congelado. Os termos da inscrição das nove equipes representam uma grande notícia para a Fórmula 1. "Todos os times se comprometeram a permanecer na competição até o fim de 2012", explicou uma fonte. Isso afasta, em princípio, a possibilidade de Toyota e Renault abandonarem a Fórmula 1, como se comenta. Ao mesmo tempo, exige que Mosley volte a aceitar o mecanismo processual de alterações de regulamento, ou seja, as ideias serem discutidas nos grupos técnico e esportivo de trabalho, depois na Comissão de Fórmula 1 e finalmente no Conselho Mundial da FIA."Essa garantia consta no texto do novo Acordo da Concórdia", explica a fonte. O acordo estabelece os direitos e obrigações das equipes, da FIA e do detentor dos direitos comerciais, Bernie Ecclestone. "Na área comercial praticamente já chegamos a uma solução que atenda a todos os interesses", afirmou a fonte. A expectativa é de que dia 12 todos assinem a extensão do Acordo da Concórdia até o fim de 2012. Outro ótimo desdobramento do estabelecido entre a Fota e Mosley é que as novas equipes vão competir com equipamento básico fornecido pelas grandes. A Prodrive, por exemplo, deverá ter chassi McLaren e motor Mercedes. Os grids, em 2010, vão ter seis carros a mais que hoje e o nível de competitividade tende também a se manter elevado. DECISÃO NEGOCIADADesprendimento: acordo foi possível porque Fota e FIA reviram as ideias de cortar despesas Deram a palavra: Renault e Toyota vão permanecer na F-1 até 2012. Cogitavam deixá-la Uma cai fora: há quatro equipes novas e apenas três vagas. Dia 12 FIA anuncia as três escolhidas Nada de ditadura: novo Acordo da Concórdia retira os poderes plenos do presidente da FIA para impor novos regulamentos

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