Tira-teima

No Brasileiro, Muricy e Tite duelaram até a última rodada. Hoje, novo round na final do Paulistão

Fábio Hecico e Sanches Filho / SANTOS, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Na reta final do último Campeonato Brasileiro, Tite, pelo Corinthians, e Muricy Ramalho, pelo Fluminense, travaram batalha rodada a rodada pelo título. Muricy foi mais competente na reta final e, com méritos, ficou com o troféu. Tite, no entanto, ainda não engoliu o fato de São Paulo e Palmeiras terem perdido para o time das Laranjeiras com certa "facilidade". Hoje, os técnicos voltam a se encontrar, agora num tira-teima sem intermediários.

Invicto no Santos (7 vitórias e 3 empates) Muricy Ramalho já elegeu suas armas para confirmar o favoritismo: marcação forte do meio para trás e bola para Neymar no ataque. Há pouco mais de um mês no comando do atual campeão estadual, o treinador já moldou a equipe para jogar à sua maneira. Usando como trunfo sua trajetória de títulos, ele impôs um estilo pragmático e deixou de lado a equipe que se preocupava mais em dar show.

A estratégia deu certo na semifinal do Paulista, quando o Santos eliminou o São Paulo (2 a 0) em pleno Morumbi usando os contra-ataques. Após o jogo, Muricy foi festejado pela armadilha que criou ao atrair o rival e apostar na velocidade de Neymar.

"Logo que assumi, uma das primeiras coisas que falei para os jogadores foi que, quando vinha jogar na Vila contra o Santos, eu me defendia, sabendo que poderia chegar à vitória porque teria quatro ou cinco chances de contra-atacar. Eles entenderam e a equipe já joga diferente", afirmou o treinador santista.

Na Vila, já não se fala mais em DNA ofensivo. Com o bom desempenho em confrontos duros pela Taça Libertadores, o Santos aprendeu a jogar de acordo com as circunstâncias. Muricy reclama da sequência de jogos importantes. "Desde que cheguei, só tive jogos decisivos pela frente."

Envolvido em duas competições simultâneas, o time mal teve tempo para os treinamentos. "É hora de esquecer o cansaço porque tivemos dois dias para descansar e estamos de tanque cheio para correr bastante", disse o goleiro Rafael.

Desconfiança. Para Tite, erguer a taça na Vila tem sabor especial. E vai além de uma simples vingança contra Muricy, a quem jamais deixou de respeitar. Fracassar no Nacional e, principalmente, na pré-Libertadores, deixaram o corintiano sob olhares de total desconfiança. Andrés Sanchez bancou a permanência, deu carta branca para a remontagem do elenco durante o Estadual - Roberto Carlos, Ronaldo e Jucilei saíram - e apostou em sucesso. "Meu sonho era ser campeão pelo Corinthians. Agora, passa a ser objetivo, pois pode virar realidade no domingo (hoje). O Santos eu não sei, mas nós merecemos ser campeões", observa. "Que o Corinthians seja o campeão paulista e o Santos, da Libertadores, pronto."

Tite não esconde a ansiedade por seu primeiro título no clube. Em 2004, ele considera uma conquista a campanha no Brasileiro, no qual tirou o time do 17.º e o colocou em 5.º. Mas sabe que só confirmará a melhor campanha de um técnico do clube nos últimos seis anos com o troféu. "Minha tranquilidade é só aparência. Fico com copo d"água do lado, respiro fundo para falar, mas as mãos não param de suar. Estou com a mão suando, na expectativa. A adrenalina flui, a semana decisiva desgasta mais."

 

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