Tiro certeiro leva o Brasil à final

O lateral Daniel Alves bate falta com perfeição e dá vitória sobre a África do Sul; seleção tem atuação muito fraca

Luiz Antônio Prosperi e Sílvio Barsetti, JOHANNESBURGO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Os jogadores do Brasil se reuniram no centro do campo, após o apito final e com abraços e aos pulos comemoraram como se fossem campeões. A poucos metros dali, os sul-africanos formaram uma roda e rezaram. Quem deveria recorrer às orações era Dunga. Difícil ver uma partida em que a seleção não joga nada e sai com a vitória. Diante da África do Sul, ontem, no Ellis Park, foi assim. Venceu por 1 a 0 e se classificou para a final da Copa das Confederações contra os Estados Unidos, no domingo, às 15h30. Confira mais imagens da classificação do Brasil para a final da competiçãoDeu dó dos jogadores do técnico Joel Santana. Eles acreditaram até o final, mas não deu. Antes de o jogo começar, os sul-africanos cantaram o Hino Nacional com forte emoção. Prenúncio de uma noite inimaginável no inverno gelado de Johannesburgo. Havia uma atmosfera de otimismo. "Sim, nós podemos." E ainda a voz única das vuvuzelas (as cornetas). Senhor da razão, o Brasil não pensou que poderia ter sérias dificuldades no primeiro tempo. O gol viria da forma mais natural possível. Afinal de contas, de um lado estavam os pentacampeões e do outro os aprendizes.Quando a bola rolou, o quadro se inverteu. Os sul-africanos não se intimidaram. Nem entraram em desespero. Sob a régia do brasileiro Joel Santana, de muitos anos no futebol, aquele que diz que não tem um currículo e sim um testamento, o time da África do Sul se impôs.Com toques curtinhos, sempre triangulares, eles envolveram a seleção. Não atacaram como uma manada. Foram de mansinho, medindo os passos, quase em silêncio, como os leopardos na hora do bote na presa.E por duas ocasiões quase marcaram com Pienaar. Chutes que assustaram Julio Cesar e estragaram um pouco a cara de Dunga à beira do tempo.O treinador do Brasil em nenhum momento reorganizou seu time. Gilberto Silva e Felipe Melo estavam perdidos, ilhados pelos sul-africanos. Tão perdidos que, por pelo menos três vezes, o zagueiro e capitão Lúcio chamou a atenção de Gilberto. Eles discutiram sério.Outro problema grave da seleção: não encaixou um mísero contra-ataque. Joel anulou a saída de bola do time de Dunga com uma marcação exemplar. Sem o contragolpe, nada feito. Quanto aos Bafana Bafana, saíram para o intervalo aplaudidos de pé pela torcida.No segundo tempo, tudo se repetiu. Os anfitriões envolveram os brasileiros, mas não foram agudos na hora de chegar ao gol. A seleção, sem saída, esperava por um milagre. Aconteceu, aos 42 minutos. Daniel Alves, que havia entrado improvisado na lateral-esquerda na vaga de André Santos, aos 36, cobrou a falta sofrida por Ramires e fez o gol da vitória. Um castigo para os sul-africanos. O Brasil cumpria com a sua obrigação.

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