Tiro na 'mosca' deu primeiro ouro do Brasil

Em 1920, na Antuérpia, a medalha veio com Guilherme Paraense, tenente do exército

ROSE SACONI, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h07

O Brasil estreou nos Jogos Olímpicos com ouro. Em 1920, na Antuérpia, a medalha veio com Guilherme Paraense, tenente do exército, na prova do revólver a 30 m sobre a silhueta humana em pé. Ele fez 274 pontos dos 300 possíveis. Entre 38 atiradores, foi o único a acertar o alvo na mosca.

A equipe de tiro também conquistou outras duas medalhas. O advogado Afrânio Antônio Costa ganhou a prata na categoria pistola livre 50 metros. Também nessa especialidade, o Brasil foi bronze por equipes, com Afrânio Costa, Sebastião Wolf, Fernando Soledade, Dario Barbosa e Guilherme Paraense.

"O Brasil foi a única nação que conseguiu derrotar os Estados Unidos nas provas de tiro realizadas durante os jogos olympicos", comemorou o Estado em 5 de agosto de 1920.

A delegação brasileira era composta por 29 atletas. Além do tiro, competiu na natação, saltos ornamentais, polo aquático e remo. A presença do Brasil foi negociada pelo então ministro Raul do Rio Branco, "sob o patrocínio do barão, poderá o Brasil figurar com brilho e êxito na grande olympiada de 1920", registrou o Estado em novembro de 1919.

A viagem dos atletas para a Europa, a bordo do navio Curvello, cedido pela Marinha brasileira, durou quase um mês e não foi nada fácil. Além de contar com pouco dinheiro para alimentação, a delegação enfrentou vários problemas pelo caminho, como roubo de alvos e munições; dificuldades para cruzar fronteiras e falta de infraestrutura.

"Os tiros de Antuérpia" foi o destaque do Estadinho, edição vespertina que circulou de 1915 a 1921. "Contam os jornaes que um patricio nosso derrotou em Antuerpia, numa porfia de tiros de pistola, varias cohortes de pistoleiros universaes..."

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