Tiago Queiroz/AE - 14/5/2011
Tiago Queiroz/AE - 14/5/2011

Tirone gasta como Belluzzo no Palmeiras

Eleito sob a promessa de reduzir custos com o futebol, novo presidente vê custo mensal seguir acima dos R$ 10 milhões

DANIEL AKSTEIN BATISTA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - Eleito com a promessa de reduzir as dívidas e a folha salarial do elenco de futebol, o presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, já está na mira do Conselho Deliberativo da entidade, que na terça-feira se reúne para discutir as contas do início de sua gestão, iniciada no final de janeiro. Por enquanto, elas não batem com as promessas de campanha.

No ano passado, ainda sob a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, o futebol palmeirense (que há anos é deficitário) consumiu R$ 134 milhões.

Só nos primeiros três meses de 2011, o Palmeiras já gastou R$ 35 milhões, segundo balancete aprovado nesta segunda-feira pelo Conselho de Orientação Fiscal (COF). Preocupante diante de um orçamento previsto de R$ 89 milhões para o ano. Nesse ritmo, a conta não fechará.

Com os R$ 89 milhões planejados, o Palmeiras deveria gastar uma média de R$ 7,4 milhões por mês. E tem colocado pelo menos R$ 4 milhões a mais todo mês.

O orçamento pode ser alterado pelo COF desde que entrem mais receitas para o futebol, o que até agora não mudou muito em relação ao ano passado.

Independentemente disso, os gastos irão subir por causa de despesas antigas que vencem agora, como os R$ 15 milhões devidos ao Banco Banif pela carta de crédito usada em 2010 na contratação de Valdivia.

O Palmeiras precisa acertar essa dívida até 15 de agosto - este valor inchará ainda mais os gastos com o futebol.

Sem palavras. Tirone não quis se pronunciar sobre os valores. "Vou responder na reunião do Conselho", disse. O presidente não fala nem sequer sobre o extemporâneo superavit do futebol em março - R$ 2 milhões que, segundo o conselho, dizem respeito a repasses da Federação Paulista de Futebol e direitos de transmissão da TV.

Além disso, a reestruturação da parte administrativa (em boa medida obtida com a demissão de funcionários) garantiu ao clube uma economia de R$ 2 milhões, dinheiro que foi usado para abater dívidas.

Conselheiros defendem o enxugamento da comissão técnica de Luiz Felipe Scolari, até com a demissão de Valdir Joaquim de Moraes - o ex-goleiro é hoje consultor técnico.

Até as contratações são motivo de preocupação. O zagueiro Henrique, por exemplo, só voltará se o clube conseguir um investidor para pagar os mais de R$ 9 milhões pedidos pelo Barcelona - a Traffic, antiga parceira e que havia tido problemas com o Palmeiras, pode ajudar na negociação com o atleta.

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