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Tite invicto e sem pressa

Seleção vence outra, e técnico sabe que há chão para resgatar de vez o prestígio nacional

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2016 | 06h41

A turma da CBF não é especialista em bolas dentro. Mas, que se admita, teve o bom senso de reparar o erro da escolha de Dunga, ao chamar Tite ainda em tempo de recolocar a seleção no caminho certo. Em quatro jogos nas Eliminatórias sob novo comando, a equipe nacional saltou da obscura 6.ª colocação para a liderança. Com a sequência positiva, afastou temor de inédita e constrangedora ausência de Mundiais e recobrou o fôlego.

A reforma na casa amarela vai bem, obrigado. À medida que as vitórias contra rivais da região se acumulam, o time ganha confiança e forma, se solta, afina o repertório. E até sente menos as ausências de Neymar. Como ficou evidente nos 2 a 0 sobre a Venezuela, na noite de ontem. Willian cumpriu o papel do astro suspenso, o jogo fluiu, os gols vieram naturalmente (o primeiro, uma pintura de Gabriel Jesus, após saída desastrada do goleiro Hernandez) e a trupe está em paz.

Méritos para Tite, que prova ser sujeito corajoso e em dia com o desconfiômetro. Ele expôs tato e segurança, quando assumiu num momento de turbulência. Pescou oportunidade na hora certa, e notou que a seleção em baixa, com desempenho capenga, era campo fértil para assimilar os métodos dele. Havia pouco a perder. Até agora a aposta dá certo - e muito. O professor fica à vontade, e a Rússia se aproxima.

A estratégia que traçou a partir do momento em que disse “sim” ao convite feito por Del Nero parece adequada. Logo de cara, bom lembrar, passou a borracha na adesão à campanha que, no fim de 2015, pedia a saída do cartola da CBF. Tite havia aderido ao teor de abaixo-assinado. Mas, sabe como é, a vida dá voltas, a gente repensa, hoje é assim, amanhã assado, e vamos em frente porque a fila anda depressa.

Tão logo botou o chamegão no contrato, deixou com Rogério Micale a incumbência de dirigir o time olímpico nos Jogos do Rio. Por cautela e modéstia. Não valia a pena correr risco de chamuscar-se com aquele desafio. A prudência o aconselhou a deixar Micale à testa da aventura, e assim não caiu na armadilha que já havia enredado Luxemburgo, Dunga, Mano. Melhor do que medalha em Olimpíada era ter paz para trilhar até a próxima Copa.

Mesmo assim, esteve por perto, na campanha do ouro, observou jogadores e chamou vários medalhistas para as Eliminatórias. Na ocasião, recorreu aos conhecimentos colecionados na carreira, para montar um time que desse imediatamente o ar da graça. Sem ser lugar-comum, mal teve tempo de cumprimentar a rapaziada e já se viu obrigado a encarar o então embalado Equador, em Quito, e recebeu a Colômbia. Duas vitórias com estilo cascudo, para assentar a poeira, sacudir a rotina modorrenta e resgatar um tanto da simpatia de torcida e de crítica.

Pausa para respirar - e vieram os jogos com a Bolívia, no meio da semana passada, e o de ontem com a Venezuela. Com mais de tempo para convivência com os convocados. Com alegrias, como a goleada nos bolivianos, e com indefinições próprias de início de trabalho, o balanço é animador. O Brasil tem chão a percorrer, antes de carimbar o passaporte para 2018; importa que a tarefa de reerguimento vai a todo vapor. 

Os estragos feitos pelo fiasco no Mundial de 2014, agravados pela imagem negativa da CBF, são complicados de tapar. Não é de um dia para outro que a seleção resgatará prestígio pleno no plano internacional. Para “o respeito voltar”, como diria certo dirigente carioca, o grupo terá de suar um bocado. Não é à toa que o técnico insiste em discurso moderado, sem ufanismo, cheio de dedos. Faz parte da estratégia. 

Tite é esperto e não tem pressa.

Série A... E vamos ao que interessa, ou o Brasileiro, com jogos de hoje e sobretudo os de amanhã pela 30.ª rodada. O Fla x Flu vale por si só, agora com peso dobrado, assim como Palmeiras x Cruzeiro; a dupla da parte de cima da tabela terá páreo duro. Já o Galo é favorito disparado contra o América. Façam suas apostas.

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