Tite já não dorme mais tranquilo

Ansioso com a decisão e cobrando dos jogadores concentração total, treinador apela até para a malhação de madrugada

FÁBIO HECICO, RAPHAEL RAMOS , BUENOS AIRES, ENVIADOS ESPECIAIS, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h10

Tite já não se aguenta mais. Tão perto de conduzir o Corinthians ao inédito título da Libertadores, que só poderá vir de forma invicta, o que valoriza ainda mais a campanha, o treinador mantém a postura de pedir serenidade e respeito ao Boca Juniors. E prega os pés no chão. "Aqui não existe o já ganhou."

Insistir para que todos não mudem a postura que trouxe o time até aqui não está sendo fácil. Ele mesmo anda aflito para soltar logo o grito que todos no clube sonham.

Mas de nada valerá a campanha de sete vitórias e seis empates se não vencer na quarta-feira. Por isso, Tite cuida de todos os detalhes como, por exemplo, pedir para Romarinho ser "blindado" pela direção do clube. Nada de querer curtir os cinco minutos de fama após três gols importantes. "É hora de ele ficar com a família, de perna para o ar, "pianinho", evitando exposição. É deixar a vaidade de lado e trabalhar", receitou.

A pedido de Tite, o jovem receberá a atenção especial. Vai ganhar até uma cozinheira para evitar que se alimente errado - ele mora sozinho, num apartamento alugado pelo Corinthians.

O esforço de Tite em cobrar concentração e respeito ao Boca Juniors, que já ganhou três títulos diante de brasileiros no País (Palmeiras, em 2000, Santos, em 2003, e Grêmio, em 2007), é tão intenso que ele não consegue dormir direito desde que o Corinthians se classificou para a final. Ontem, por exemplo, estava tão pilhado que resolveu malhar de madrugada para espantar a ansiedade.

As noites maldormidas, porém, não tiram do treinador o foco no trabalho.

"Não sou um cara de jogar conversa para o lado para conseguir outra. A decisão está aberta, é verdade. São duas grandes equipes que podem se enfrentar na Bombonera e no Pacaembu, ou fora, de forma igual pela experiência e a qualidade técnica", enfatizou.

E foi além. "A bola não queima no pé e eles agridem a marcação. O que tem a nosso favor, no aspecto emocional, é que viemos aqui na Bombonera e não sentimos o peso."

Marcação sempre. Tite passou ao grupo, ainda nos vestiários na Bombonera, os perigos de o time se achar poderoso por decidir em casa. Também agradeceu ao empenho de todos e pediu que a marcação exercida, principalmente no primeiro tempo na casa do Boca, se repita no Pacaembu. "(O time) passou mais um momento para se consolidar. Estamos preparados, mas não quero que saia perdendo, nem que faça 30 minutos como os iniciais do segundo tempo, apenas que seja o do primeiro. Mas se sair com revés, que esteja preparado para buscar a recuperação."

O comandante não admite que o time tenha contra o Boca a mesma postura que teve diante do Santos, na partida de volta nas semifinais, com os jogadores encolhidos na defesa, passando aperto, segurando o 1 a 0 do jogo de ida na Vila Belmiro. Ele pede coragem e sabedoria para buscar o tão importante gol. E nesse quesito ele está tranquilo, pois ouviu a resposta que esperava: todos reconheceram o futebol bem abaixo do esperado e que a postura em casa será outra, bem diferente.

Ingressos acabaram. Não há mais ingressos para o jogo da decisão. Os poucos bilhetes que restavam de arquibancada e tobogã foram vendidos ontem pela internet. A venda, que começou às 12 horas, durou somente 9 minutos. A carga total de ingressos é de 37 mil ingressos. Desse total, 2.450 foram destinados aos torcedores do Boca Juniors.

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