Tite não cai hoje

Nem se perder o clássico para o Palmeiras o técnico Tite correrá risco: "Não demito nem se cair por 10 x 0"", garante o presidente Andrés Sanchez.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2011 | 00h00

Você pode discordar de várias coisas que Andrés Sanchez faz. Sobre seu comportamento com os técnicos, é difícil haver críticas. Em quase quatro anos no comando, Nelsinho Baptista saiu ao final de seu contrato e apenas Adílson Batista foi demitido.

"E só demiti o Adílson, porque ele fez bobagem com o elenco"", diz Andrés Sanchez, referindo-se à recusa do atual treinador do São Paulo em atender aos pedidos dos líderes do grupo para proteger a defesa.

Terça-feira passada, Andrés Sanchez falou grosso e houve quem entendesse como um recado para Tite: "Estamos perdendo um campeonato ganho de novo"", disse.

O endereço não era o técnico, mas o elenco.

A irritação da diretoria é com jogadores cujos desempenhos são inversamente proporcionais ao investimento neles realizado.

O nome mais citado é Jorge Henrique, que perderia o lugar hoje se Alex não se machucasse. Salário alto, futebol curto nos últimos tempos. Alessandro teve seu contrato renovado por dois anos, apesar de já ter 32 anos. É outro exemplo.

A intenção de Tite é criar variação tática, com Emerson mais perto de Liedson e Danilo longe da linha lateral, da qual tem sido refém nas últimas semanas. Se Alex jogasse hoje, Danilo seria o terceiro homem de meio de campo. Como não joga, será o armador.

Aumentar a coleção. Ganhar o clássico desta tarde significa vencer o primeiro turno, título apenas simbólico, mas que criaria em Andrés Sanchez a ideia de que voltou ao caminho para terminar o ano e o mandato com o que mais lhe tem faltado: aumentar o número de troféus.

Ficaram no passado a Copa do Brasil e o Paulistão invicto de 2009, as únicas taças do período Andrés - Série B à parte. Por ser o mais polêmico dos presidentes dos clubes paulistas, Andrés Sanchez raramente tem sua gestão analisada com neutralidade.

O resumo é bom, para quem chegou às portas do rebaixamento, ajudou a voltar à Série A, ganhou dois títulos e aumentou a receita do clube.

A dívida aumentou para R$ 170 milhões, mas a relação do saldo devedor com as receitas melhorou. Em 2007, o Corinthians arrecadava R$ 0,69 para cada R$ 1,00 que devia. Hoje, recebe R$ 1,66 para cada R$ 1,00 devido.

Sua postura e as relações políticas com CBF e prefeitura são o lado negativo, mas não se pode dizer que atrapalhem o Corinthians. O que prejudicará sua avaliação como presidente, ao final do mandato? O sucateamento das divisões de base e o escasso número de taças.

A pressão sobre o presidente é ganhar o Brasileirão. É por isso a pressão de Andrés Sanchez sobre seu time.

A grande dívida. Desde o final do mandato de Luiz Gonzaga Belluzzo, a velha oposição do Palmeiras bate forte no crescimento da dívida do clube. O balanço aponta R$ 169 milhões de dívida.

Se você se debruçar mais sobre as contas, perceberá por que a diretoria anterior contesta esse número e afirma que a dívida concreta está na casa dos R$ 80 milhões.

A demolição do estádio fez desaparecer do balanço R$ 31 milhões equivalentes ao valor do imóvel.

As luvas dos contratos com a Adidas e com a TV Globo foram contabilizadas como adiantamento e, por isso, viraram despesa, em vez de receita.

Em outras palavras, no final do ano, quando dois edifícios da obra da Arena Palestra estarão prontas, uma nova conta pode colocá-los como ativos e subitamente a dívida cairá dos atuais R$ 169 milhões.

Há outra razão para a dívida não deixar ninguém boquiaberto no Palestra Itália.

Só o contrato de TV recheia os cofres com R$ 60 milhões e deve haver R$ 500 milhões em caixa nos próximos cinco anos.

Sem maquiar as contas, nem para o bem nem para o mal, o Palmeiras tem uma dívida mais importante a pagar: a dívida com a torcida.

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