Tite pede voto de confiança e diz que não é paraquedista

Em tom de desabafo, treinador esbanja confiança no seu trabalho e espera compreensão da torcida

Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

Tite se mostra bem seguro no comando do Corinthians e garante que não se importa muito com as críticas ao seu trabalho de parte da torcida - e de dentro do próprio clube.

"Não caí aqui de paraquedas, conheço muito bem a pressão que é o Corinthians. Sei o que estou fazendo."

O treinador disse que estava falando ao torcedor, pedindo tranquilidade e um voto confiança. Foi como se ele tivesse a certeza de que a equipe vai vencer o clássico contra o Palmeiras, domingo, e ratificar o título simbólico do primeiro turno.

Apesar dos tropeços e da queda de produção do time, nem a liderança do Campeonato Brasileiro dá um alento ao treinador. Tem-se a impressão de que ele está sempre na corda bamba. Talvez, por isso, tenha dado uma entrevista até em tom de desabafo.

"Sou o mesmo técnico que pegou o time duas vezes, uma em 2004, com o time à beira do abismo, e no ano passado, que cheguei aqui com uma sequência de sete jogos sem vitória."

Tite considera injusta a comparação que se faz com o momento atual com aquele vivido por Adílson Batista. Mas até entende que o torcedor tenha o direito de imaginar que a equipe deixou escapar o título ano passado e que vá perdê-lo novamente. E isso motivaria a desconfiança sobre seu trabalho.

"O Corinthians fica olhando no passado. Quando cheguei aqui, o Ronaldo me disse: "Estamos sem confiança". Eu disse: "Vamos corrigir com calma". Não se pode ter o fantasma do ano passado. Vim aqui para apagar aquele incêndio e sei como devo fazer agora, porque ajudei a construir essa equipe."

Ao lado de Tite está o presidente Andrés Sanchez, que bancou o treinador por duas vezes este ano: na eliminação na pré-Libertadores diante do Tolima, em fevereiro, e após a perda do título paulista contra o Santos.

Os dirigentes que, de fato, decidem no Parque São Jorge estão com Tite: Andrés e os diretores de futebol Roberto de Andrade e Duílio Monteiro Alves.

Mas há os insatisfeitos, que estão no segundo escalão da direção e alimentam uma troca de treinador.

Clássico. Tite não revelou a equipe que vai enfrentar o Palmeiras, domingo, em Presidente Prudente, mas sugeriu algumas trocas. O setor que pode ter novidade é o do meio campo, porque Alex e Danilo não estão se entendendo muito bem.

"Os dois trabalham melhor por dentro, mas às vezes um deles tem de jogar por fora. Por isso faço um revezamento."

Recuperado de contusão muscular, o lateral-esquerdo Ramon deve voltar ao time.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.