Tite proíbe oba-oba e exige seriedade

Técnico avisa que euforia durou só até ontem na volta aos treinos, quando os reservas foram a campo; Danilo vive dia de herói com o filho de dois anos

FÁBIO HECICO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h08

O corintiano está eufórico com a sofrida e emocionante classificação à final da Libertadores pela primeira vez em quase 102 anos de história. A alegria era evidente ontem por toda a cidade, mas dentro do clube esse clima de oba-oba está proibido. Euforia exagerada, comemoração, festa, tudo durou apenas alguns minutos após o empate por 1 a 1 com o Santos. A ordem de Tite logo após um vestiário festivo para todo o grupo é a de manter os pés no chão.

A prova de que a "recomendação" do treinador já é seguida com rigor veio no treino dos reservas ontem - apenas Emerson, dos titulares, participou - quando todos mostraram seriedade, sem brincadeiras ou clima descontraído. E, logo depois, na entrevista do sereno Danilo.

O autor do gol chegou de madrugada em casa e foi acordado horas depois como herói pelo filho Davi, de 2 anos, que queria ver novamente a proeza do cansado pai. "Dormi cedo. Depois, tomei café com a família, todos alegres, comemorando. Foi muito bom, mas passou. A euforia tem de ficar para o lado do torcedor. Para nós, não ganhamos nada. Se não for campeão não vai adiantar o que foi feito até agora", diz.

Serão duas semanas com promessas de concentração total e humildade no Corinthians. "Chegamos até aqui assim, vamos permanecer assim", prega Tite, que não gostou de ver Leandro Castán ter dito que "a noite foi perfeita" com a classificação do time e a eliminação do rival São Paulo na Copa do Brasil.

A atitude passa longe do discurso dos mais experientes. "Desde o começo do ano eu digo que esse grupo tinha esse espírito, a energia pronta para a Libertadores. Isso eu vivi no Internacional (foi campeão em 2006), mas lá tinha craques, o (Rafael) Sóbis, o Fernandão, era uma equipe forte e isso temos aqui, se será suficiente, temos de colocar em prática já que não temos supercraque aqui para tirar coelho da cartola", afirma Alex. "Se o time manter os pés no chão e entender que todos têm de se ajudar, vai ser um grande passo."

Confiança. Assim como foi diante de Vasco e Santos, o Corinthians adota a cautela, mas não esconde a confiança, agora na decisão. "Será um título inédito, né? O torcedor e o clube merecem esse título. Temos uma grande chance, estamos num momento muito bom, com todo mundo feliz e se ajudando", disse Danilo, já campeão como Alex e Fábio Santos. "Temos vários jogadores experientes, técnico com várias Libertadores disputada e isso ajuda muito. Quem já passou por isso sabe como é." (leia mais do orgulho corintiano pág. 2)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.