José Patrício/AE
José Patrício/AE

Tite usa tropeços do passado para evitar clima de euforia no Corinthians

Técnico vai passar os próximos dias lembrando os jogadores das derrotas sofridas no Pacaembu, para evitar deslize fatal

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h06

Diz o ditado que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. O Corinthians, porém, não quer pagar para ver e adotou o lema de total respeito ao Santos para evitar uma nova tragédia em menos de dois meses. Nas quartas do Paulista, dono da melhor campanha, com a defesa menos vazada e favorito absoluto diante da Ponte Preta por decidir no Pacaembu, perdeu por 3 a 2 e deu adeus. Agora, mais uma vez com bela campanha, invicto e com apenas dois gols sofridos, nenhum em casa, a equipe garante uma concentração maior para evitar nova decepção.

Serão cinco dias sem euforia e com Tite mostrando derrotas em casa que não podem se repetir agora. Desde que voltou ao Corinthians, no fim de 2010, o técnico acumulou alguns tropeços dolorosos em casa, situação que, se vier a e repetir, custará a eliminação na Libertadores. "O jogo continua aberto, temos essa consciência e nenhum atleta saiu de campo vibrando, a gente sabe respeitar a grandeza do Santos."

Claro que o respeito pelo adversário não significa que Tite desmereça sua equipe. "Temos a ambição de construir em mais 90 minutos uma classificação. Não apenas com suor, já que só com suor não se ganha nada. Com nossa qualidade."

Ficar com um pé atrás se faz sentido nas "surpresas desagradáveis" que Tite já viu acontecer no Corinthians. Ele tira sempre lições das derrotas e já está utilizando-as para alertar o elenco, deixá-lo ligado nas semifinais.

São oito derrotas sob seu comando no Pacaembu. Delas, três pelo placar mínimo, o 1 a 0, que levaria a decisão do finalista da América para os pênaltis: para Ponte Preta (Paulista de 2011), Cruzeiro (Brasileiro passado) e Fluminense (há quase um mês).

As outras, todas com o time chegando empolgado e confiante num triunfo, com placares que dariam a vaga ao Santos. Uma para o próprio rival nesta semifinal, por 3 a 1, em jogo do Brasileiro passado, que na ocasião custou a liderança para o Vasco e o segundo lugar para o São Paulo. Ali, uma invencibilidade de 17 clássicos em casa ruiu. Naquele jogo, torcedores cobraram a demissão de Tite.

Menos de um mês depois, novo revés desanimador: 2 a 0 para o Botafogo. Esse já havia sido o placar da derrota para o Figueirense, no primeiro turno.

Há ainda a da Ponte deste ano (3 a 2) e um 2 a 1 para o São Caetano. Por tudo isso, o técnico pede foco e seriedade para a volta contra o Santos, na qual o time defenderá a série de cinco vitórias em casa, sem nenhum gol sofrido.

Muralha. Mesmo ciente de que basta não levar gol para o time chegar à final, o goleiro Cássio não quer saber da responsabilidade só para ele. "Mas é legal, motiva. Só que não sou só eu, se avançarmos, será pelo empenho de todo o grupo", disse um dos heróis do jogo de anteontem na Vila. "Claro, fico feliz pelo meu trabalho, recebi muitas ligações, minha mãe e tia estão em São Paulo e é bom chegar em casa e receber um abraço da família."

Ele já entrou no clima pregado por Tite. "Não tem nem como relaxar, tivemos grande resultado, mas nada definido, está aberto."

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