Tocha olímpica encontra protestos durante passagem pelo Japão

Multidões de estudantes chinesesacenando bandeiras vermelhas brigaram com protestantespró-Tibete e nacionalistas japoneses durante passagem da tochaolímpica pelo Japão neste sábado. A viagem da tocha pelo mundo antes da abertura dos Jogos dePequim em agosto vem gerado protestos contra a China sobre asquestões dos direitos humanos, bem como ímpetos de patriotismode chineses que criticam o Ocidente por difamar Pequim. Num dia de chuva em Nagano, coros como "vai, China"rivalizaram com gritos de "libertem o Tibete" vindos do grupooposto, que chegaram a entrar em conflito apesar da fortesegurança na cidade central, que sediou os Jogos Olímpicos deInverno de 1998. Quatro simpatizantes da China foram feridos e cinco homensforam presos, segundo informações da polícia local e bombeiros,incluindo um homem que precisou ser imobilizado no chão depoisde correr até o caminho da tocha segurando uma bandeiratibetana e gritando "libertem o Tibete". Mais de 3 mil policiais foram mobilizados para o evento,que ocorre um dia depois da agência chinesa de notícias Xinhuaafirmar que Pequim irá dialogar com representantes do DalaiLama, líder budista exilado do Tibete, a quem culpa pelosrecentes tumultos. O Japão, cujos laços com Pequim costumam ser cobertos detensão devido à memórias amargas da China sobre os tempos deguerra, tentou evitar as cenas caóticas que marcaram algumasdas passagens da tocha pelo mundo antes da visita do presidentechinês, Hu Jintao, ao país no mês que vem. "Eu corri torcendo para que os Jogos de Pequim tenham paz esucesso", afirmou o campeão olímpico japonês da maratona MizukiNoguchi, depois de acender a chama no pódio ao final dapassagem. Analistas e ativistas expressaram cautela sobre aperspectiva de alívio nas tensões no Tibete através de umdiálogo entre Pequim e representantes do Dalai Lama. Em Nagano, 100 policiais japoneses criaram um corredor debarreira para a passagem da tocha, acompanhados de doisauxiliares chineses trajando ternos azuis e brancos, enquantoos manifestantes pró-China acenavam bandeiras nacionaisvermelhas pelo percurso. O conflito se iniciou entre os grupos pró-Tibete epró-China, dentre os quais haviam muitos ativistas japonesesconservadores, perto da principal estação de trem da cidade. Apolícia separou os grupos rivais. A cobertura na TV mostrou umhomem ferido, com sangue no rosto. A tocha, que tem Seul seu próximo destino, deve passar umamensagem de paz e amizade, mas sua jornada vem se tornando umevento político e a tocha tem ganhado um tipo de segurança quegeralmente é reservada a chefes de estado. (Reportagem adicional de Yoko Kubota e Tetsushi Kajimoto)

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