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Marcos Caetano
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Todos a bordo

Um recorde: pela primeira vez na história, seis times de um mesmo país avançam às oitavas de final da Taça Libertadores - e esse país é o Brasil. Quer dizer que nosso futebol está incontestavelmente num patamar superior no cenário do futebol sul-americano? Sim e não. Sim porque, por um lado, não há dúvidas quanto à capacidade de investimento dos nossos clubes, bem maior do que a dos demais países do continente, o que torna muito difícil vermos em suas equipes nomes como Pato, Fred, Ronaldinho Gaúcho, Osvaldo, Leandro e Fernando, apenas para citar, um para cada equipe classificada, atletas que vêm sendo convocados por Felipão.

Marcos Caetano, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2013 | 02h07

Por outro lado, sejamos sinceros, fora o Galo das cinco primeiras rodadas, nenhuma equipe brasileira está jogando um futebol encantador.

A sorte dos oscilantes clubes brasileiros é que a concorrência também está longe de convencer. Até aqui, gostei do Vélez e de algumas partidas do Olimpia, do Newell's e do Nacional. O resto é sofrível. De forma que não será surpresa que, mesmo aos trancos e barrancos, tenhamos cinco equipes nossas nas quartas de final - o que seria outro recorde. Não teremos seis porque, como qualquer um que viva neste País sabe, teremos um duelo de gigantes brazucas na próxima fase: Atlético-MG x São Paulo. Nesse confronto, se o Galo passar, não será algo fora do comum, pois estamos falando do cruzamento do classificado de melhor campanha com o de pior campanha. Se for assim, os comentaristas dirão que a derrota da última quarta-feira foi um pequeno percalço para os mineiros, que jogaram sem grande motivação... e bola para frente.

Por outro lado, se der São Paulo, esse embate entrará para a história como "aquele do qual o Ronaldinho desdenhou no intervalo do último jogo da fase de grupos". Eu aposto no drama. Pode dar Galo, sim. Mas, se der, será com suor e ranger de dentes. Porque é inegável que algo se acendeu no coração dos jogadores do São Paulo depois daquela vitória, na qual poucos apostavam. Esse será um dos dois grandes confrontos das oitavas.

O outro é simplesmente a reprise da final do ano passado: Corinthians x Boca. Sobre esse choque, eu sei que clássico é clássico, que o Boca é duro de matar, mas ficarei muito surpreso se não der Brasil. Pelo que o Boca anda jogando, o Timão pode até vencer os dois jogos. Mais imprevisível será Vélez x Newell's, um jogo que tem os bonaerenses como favoritos, mas que pode acabar com uma surpresa dos aguerridos rosarinos, donos de um temível caldeirão.

Fechando os confrontos da parte de cima da chave, o Palmeiras terá que dar duro para vencer a longa viagem e a grama artificial do Tijuana. Ainda assim, se continuar aguerrido, dará conta do recado.

Na parte de baixo, Grêmio e Fluminense, sem meias palavras, têm o caminho bastante tranquilo até um possível cruzamento nas semifinais. O Grêmio tem um rival mais talentoso, o Santa Fé, enquanto o Flu se medirá com o Emelec, um equatoriano sem a kryptonita da altitude de Quito a seu favor, já que joga em Guayaquil.

Se esses brasileiros se complicarem, será vexame. Simples assim.

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