Todos a salvo

Os cinco times brasileiros se classificaram para a próxima fase da Taça Libertadores, quatro deles como primeiros colocados de seus grupos, sendo que o Fluminense ficou com a primeira colocação na classificação geral, seguido de perto pelo Flamengo. Além da possibilidade de decidirem seus jogos em casa, ficou claro que quase sempre é vantajoso fazer a boa campanha na primeira fase. Todos os times que abocanharam a primeira colocação na fase de grupos terão compromissos menos complicados pela frente. A exceção é o Cruzeiro - e é por ele que eu começo a minha análise da situação dos nossos representantes no mais importante campeonato das Américas.Se eu pudesse escolher um adversário para o meu time na próxima fase, trataria de evitar os seguintes: um dos brasileiros, pois confrontos entre grandes clubes do País são sempre imprevisíveis; o Atlas do México, time estrangeiro que mais me impressionou na primeira fase; o River Plate, pela tradição e por ser um dos grandes da Argentina; e finalmente o Boca, que tem tudo o que o River tem e mais três fatores de desequilíbrio. Quais? Um estádio que é uma panela de pressão, uma torcida que empurra o time como nenhuma outra no mundo e Riquelme. Caberá ao Cruzeiro, apesar da boa campanha, encarar os xeneizes na Bombonera e, depois, no Mineirão. O azulino acabou pagando o preço de consentir uma goleada de 5 x 1 para um time de menor expressão, como o Real Potosí.Para não desanimar de vez os cruzeirenses, digo apenas que eliminar o Boca é algo capaz de encher de motivação qualquer time do continente. Assim, se conseguir marcar ao menos um golzinho em Buenos Aires, ainda que perdendo por um gol de diferença, o Cruzeiro poderá perfeitamente vencer em seu estádio, eliminar um dos bichos-papões da competição e ganhar motivação para seguir até à final. O São Paulo, por outro lado, teve mais sorte do que juízo. O time de Muricy quase perdeu a liderança do grupo em seu estádio, para um apático Nacional de Medellín. Ajudado pela falta de pontaria dos colombianos e de um gol mal anulado do adversário, o tricolor paulista escapou de pegar o embalado Flamengo. O problema do São Paulo é acreditar que o simples fato de ter em campo um atacante de estirpe, como Adriano, é garantia de que o time é ofensivo. Não é. A defesa funciona, mas novas opções precisam ser testadas no ataque. Reforços são necessários. Até porque Adriano deve voltar à Europa no meio do ano. E o Nacional de Montevidéu está longe de ser um cachorro morto. Falando do Santos, o time se classificou no último suspiro, mas com estilo. A vitória sobre o Cúcuta, no finalzinho, foi de lavar a alma. E, como o Cúcuta volta a ser o adversário das oitavas, o aspecto psicológico deverá ter papel importante. O problema é que o segundo jogo não será na Vila Belmiro, como na primeira fase, mas na Colômbia. Já a dupla Fla e Flu não deve ter muita dificuldade. O Flamengo pega o América do México - o Flamengo de lá. Um time gigante, mas que no campeonato local tem o retrospecto de duas vitórias, dois empates e nada menos do que 11 derrotas. O Fluminense, que comemora aliviado o retorno de Dodô, vai encarar o Nacional de Medellín, um time que só entrou na festa porque o Audax Italiano permitiu, como o Cruzeiro, ser goleado por um time bem mais fraco: o Sportivo Luqueño. Diante de tudo isso, não será surpresa se todos os clubes brasileiros avançarem para as quartas-de-final.

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