Todos salvos

O clássico entre São Paulo e Palmeiras tinha tudo para ser um fiasco, por causa do temporal que desabou sobre o Morumbi. Meia hora antes do jogo, arquibancadas, gramado e até áreas dos bancos de reserva viraram piscina, para divertimento de alguns torcedores mais bem humorados, e arapuca para jogadores, técnicos e árbitro. Parecia que o duelo iria submergir como vários pontos da cidade. No fim, foi até agradável, descontados campo encharcado, atraso, paralisações, catimba, reclamações de ambos os lados. O 1 a 1 ficou de bom tamanho.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

A partida não foi um desastre porque o juiz Marcelo de Souza teve a sensatez de esperar 1h10 até o apito inicial e porque a drenagem funcionou muito bem. Dava a impressão de normalidade e quase não formou poças quando a bola rolou. Mas, por mais que atletas profissionais estejam preparados para se equilibrar em grama molhada, a tendência é a de queda de qualidade técnica.

Não foi diferente no primeiro Choque Rei de 2011. (Sempre achei bonita essa expressão de Thomaz Mazzoni.) O encontro do final de semana não entrará para a antologia das duas equipes, mas não decepcionou. O São Paulo na teoria deveria ressentir-se mais das más condições, por ter alguns atletas leves e que se valem da velocidade. No entanto, foi quem saiu na frente, com belo gol de Fernandinho, numa dos raros lances em que teve liberdade e não viu Márcio Araújo a fazer-lhe sombra. Lucas, ao contrário, apareceu pouco e ficou aquém da média de seu desempenho.

O Palmeiras, embora não seja pesado, reagiu melhor ao campo, pelo menos até levar o gol, aos 25 minutos. Depois, teve um ligeiro apagão, idêntico ao dos refletores do estádio. O São Paulo não brilhou e deixou escapar a chance de sair para o intervalo com vantagem maior. No segundo tempo, Felipão voltou com Leandro Amaro no lugar de Danilo e recompôs a distribuição serena na defesa, ainda a menos vazada (4 gols).

O jogo ganhou cara nova a partir dos 11 minutos, com a substituição de Luan por Adriano Michael Jackson. Na primeira jogada, Adriano dividiu com Alex Silva e caiu. O juiz mandou seguir, só que o zagueiro do São Paulo resolveu dar um pito no jovem atacante e o empurrou. Azar de Alex, que levou um vermelho cretino. Azar maior do São Paulo, que se viu pressionado pelo Palmeiras.

Não houve bombardeio verde, mas Kleber, Adriano, Valdivia, às vezes Cicinho e Gabriel, passaram a rondar mais a área rival. Rogério Ceni fez duas grandes defesas - até amargar o gol de empate aos 38,num chute cruzado de Adriano. O Palmeiras animou-se, no fim, acreditou na possibilidade de vitória, porém emperrou na falta de um matador.

O aguaceiro e o roteiro do clássico também respingaram sobre Rivaldo. O veterano ficou na reserva, só entrou nos últimos 15 minutos, no lugar de Lucas, e mal pegou na bola. Não foi dessa vez que o técnico Paulo César Carpegiani teve a ousadia de colocar mestre e aluno lado a lado. O futebol perdeu.

Limpando o armário. Lembra quando se dizia que alguém precisava ligar o desconfiômetro, pois algo não ia bem a sua volta? Pois demorou para Adilson Batista acionar o dele, já que a maré subia havia alguns dias e não se dava conta disso. Resultado: foi tragado no Santos. O time teve desempenho aquém do esperado - em fevereiro, acumulou quatro empates, uma derrota e uma vitória. A diretoria preferiu não correr riscos e o demitiu ontem à tarde. Aliás, não terá sido o excesso de cautela que derrubou Adilson, pelas ocasiões em que escolheu formação mais comedida em vez de partir para o ataque? Para ele pensar.

Isonomia. Grandes jogadores fazem fama pela qualidade. Justo. Mas não dispensam ajuda da fada madrinha. O corintiano viu diversas vezes Ronaldo virar herói por um gol salvador, depois de passar em branco quase um jogo todo. Ronaldinho Gaúcho não teve ainda desempenho memorável no Flamengo. Fato. E não é que, na hora da decisão, lá vai ele e, de falta, faz o gol do título? Que lhe sejam dedicadas manchetes, como as que recebia o xará recém-aposentado.

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