Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters

Ícone do skate, Tony Hawk vê Olimpíada como início de uma nova era para o esporte

Em entrevista exclusiva ao Estado, o maior skatista de todos os tempos fala sobre a estreia da modalidade nos Jogos Olímpicos, de sua amizade com Bob Burnquist e, claro, seus jogos de videogame

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2019 | 04h39

Pelé está para o futebol como Tony Hawk está para o skate. A comparação pode parecer uma heresia para os amantes do futebol, mas não é. O norte-americano é o maior skatista de todos os tempos, com 12 Mundiais da categoria. Com tamanha importância para a modalidade, a ponto de virar personagem de uma sequência de games, ele sorri orgulhoso quando vê que seu esporte será uma das novidades da Olimpíada, no ano que vem, de Tóquio. 

“É a oportunidade que faltava para o skate ser visto por um novo público, ter uma audiência internacional gigantesca e mostrar para quem não apoia o esporte, seja por preconceito ou qualquer outro motivo, que o skate também merece respeito”, comentou Hawk, em entrevista exclusiva ao Estado durante evento do prêmio Laureus, em Mônaco.

Aos 50 anos, mas com disposição de menino (ele ainda faz suas manobras, mas não compete em nível profissional), Hawk comemora o crescimento da popularidade do skate em todo o mundo e acredita que o esporte será ainda mais utilizado como forma de inclusão social, como acontece com o futebol e o basquete dos EUA.

“O skate está em um bom momento e é algo que as crianças estão procurando fazer com maior frequência. Ele se tornou bem popular nos Estados Unidos, América do Sul, Austrália e em alguns países da Europa e isso me dá muito orgulho”, contou o atleta, que se tornou especialista na modalidade vertical.

Melhor de todos nos 12 campeonatos mundiais de vertical, dez X Games e mais três mundiais de Street Style, Hawk ainda compete em torneios menores, como diversão, e aproveita a fama para popularizar o esporte com crianças – ele curte a aposentadoria passando mais tempo com os três filhos. 

O americano comanda a fundação Tony Hawk, que constrói parques de skates pelos Estados Unidos. De acordo com dados do site da fundação criada em 2002, o skatista conta com a ajuda de patrocinadores e, juntos, já gastaram cerca de R$ 31 milhões em 611 projetos de “skateparks” em todo o país. Mais de seis milhões de pessoas passam anualmente pelas pistas que tiveram o aval de Hawk antes de ser inauguradas. 

“Fizemos recentemente um parque de skate no Camboja e na África do Sul, que é o trabalho que eu mais sinto orgulho”, diz o skatista, que agora expande sua fundação para o exterior. 

Vivendo na Califórnia, ele aproveita o tempo livre para ser um pai mais presente. Recentemente, um vídeo publicado no seu perfil com sua filha, Kadence Hawk, de 10 anos, se tornou um sucesso nas redes sociais. Ele aparece incentivando a garota, claramente com medo, a descer uma rampa. Após algum tempo, ela conseguiu e ambos comemoraram juntos. “Já fiz o que tinha de fazer. Agora quero curtir meus filhos”, comentou.

Amigo brasileiro. Competindo desde os 14 anos, Hawk fez muitos amigos no mundo do skate. Um deles é bem conhecido do público brasileiro: Bob Burnquist, o principal atleta do País na modalidade. A relação entre eles existe há décadas. “Faz tanto tempo que nem lembro quando o conheci”, brinca o norte-americano. 

Além da amizade, existe um respeito mútuo entre eles. Bob já disse diversas vezes que Hawk é um dos maiores que ele viu em ação. O americano também não poupa elogios ao colega. “Ele é fenomenal e mudou o mundo das rampas de skate. Apresentou manobras inacreditáveis, que acho pouco provável um dia conseguir repetir suas exibições”, comenta. 

Mas quem é melhor? Bob ou Hawk? O norte-americano se esquiva da resposta. “Não gosto de comparar. O Bob era melhor em grandes rampas e continuará sendo por anos. Eu era do vertical. São skates diferentes.”

Sua última visita ao Brasil foi em 2017, quando participou de um evento da modalidade. Bem humorado, disse que espera retornar em breve. “Os brasileiros sempre me tratam muito bem e adoro o País. No momento, não tenho planos para voltar, mas, se aparecer algum convite, iria com certeza. Até jogaria futebol com vocês”, diz.

 

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