Torcedor apanha por ingressos

Corre-corre, pancadaria e desrespeito marcam venda de entradas no Pacaembu. Até policiais se machucam

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

Está virando uma triste rotina no futebol: torcedores e policiais militares em confronto. Ontem, mais uma vez cenas de vandalismo foram presenciadas no Pacaembu. O relógio não marcava nem 10 horas e todos os ingressos para a decisão do Campeonato Paulista, domingo, entre Corinthians e Santos, estavam esgotados. A venda durou apenas 50 minutos. Mas a fila ainda era enorme e, revoltados, os corintianos resolveram protestar, enfurecidos. Os mais próximos do portão principal do estádio acabaram contidos - a borrachadas e com bombas de efeito moral pela PM.Houve corre-corre, gritaria, briga. "El, el, el, ingresso pra Fiel", e "vergonha, vergonha", cantavam os corintianos. Segundo cálculo da polícia, cerca de 5 mil pessoas estiveram no local ontem. Muitos passaram a noite na fila. Seriam negociados 14,5 mil bilhetes, em cinco pontos distintos de venda.Não havia, porém, uma cota definida para cada local de venda. As entradas são impressas na hora, por meio de computadores, o que causou estranheza nos torcedores ao verem cambistas portando pacotes de bilhetes. Até cartões eles distribuíram ao longo da enorme fila.Revoltados por não adquirir o tão sonhado bilhete, os corintianos resolveram atacar os cambistas. Três foram agredidos e tiveram os tênis roubados. A polícia prendeu dois deles. Mesmo assim, não foi suficiente. E os agentes tiveram de usar de força para evitar que a Praça Charles Miller virasse campo de guerra. Com bombas e golpes de cassetete, conseguiram evitar um tumulto maior. Um policial acabou ferido. Levou uma pedrada na testa."Infelizmente, temos um milhão de pessoas querendo ver um jogo num estádio em que cabem 37 mil", disse o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, à Band. "E onde tem ser humano, tem problema", seguiu, para depois tentar se eximir completamente de culpa. "Cambista existe no mundo todo, mas quem administra os ingressos é a BWA e, infelizmente, alguns funcionários repassam essas entradas", declarou.A confusão maior aconteceu no Pacaembu. Contudo, também houve protestos no Parque São Jorge e no Ibirapuera.Para evitar que tais problemas se repitam no futuro, o Corinthians pretende vender ingressos apenas pela internet. O programa Fiel Torcedor já conta com mais de 10 mil pessoas cadastradas. Parece ser a maneira encontrada para acabar com as filas e a confusão."Logo, logo só vamos vender para nossos torcedores cadastrados. E imploro que todos façam seu credenciamento", afirmou Andrés. O Fiel Torcedor conta com pacotes de R$ 15 a R$ 75 mensais e facilidade total na aquisição de suas entradas.Além desse tipo de venda, ainda haveria o repasse de entrada às torcidas organizadas, aproximadamente 4 mil bilhetes para o setor amarelo das arquibancadas do Pacaembu.O site do clube fez questão de ignorar qualquer problema na venda dos bilhetes. "Fiel dá show e os 34.500 ingressos para a decisão contra o Santos são vendidos", trazia a home page.FAIXA PRONTAUm outro tipo de cambista também já circulava ontem no Pacaembu: o vendedor de faixas. Com eles, já era possível adquirir, por R$ 5, a faixa de campeão paulista do Corinthians. Mesmo com a possibilidade de virada do Santos, não se importavam em já oferecer o produto. E com um detalhe fundamental: a frase "campeão invicto".

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