Torcedor é condenado de novo e não vai preso

Palmeirense acusado de matar corintiano em 1994 volta a recorrer de sentença em liberdade

Bruno Deiro, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O responsável pelo tiro que matou um torcedor corintiano após a final do Campeonato Brasileiro de 1994 foi condenado ontem, novamente, a 12 anos de prisão. O segundo julgamento se estendeu por nove horas para ratificar a decisão do primeiro, ocorrido há sete anos. Como da outra vez, o bancário Vanderlei Ricardo Lopes aguardará o recurso em liberdade.Após o jogo entre Palmeiras e Corinthians, em dezembro de 1994, o empresário Paulo Sérgio Costabile Elias, 31 anos, voltava do estádio do Pacaembu com amigos - entre eles, o ex-tenista Jaime Oncins. Ao passar pela Avenida Henrique Schaumann, Paulo Sérgio foi atingido com um tiro no rosto por um disparo que sobrou de uma discussão entre corintianos e palmeirenses. O primeiro julgamento, que condenou Vanderlei em 2001, foi anulado pela defesa. Ontem, ao ouvir a sentença, a empresária Norma Elias tirou da bolsa uma foto de Paulo Sérgio e a beijou. "Descanse em paz, meu filho." Para a mãe da vítima, é o fim de 14 anos de uma cansativa batalha por justiça, cujas marcas eram evidentes. Trêmula durante todo o julgamento, ela ainda estava nervosa depois da condenação, mas se mostrou aliviada. "Mesmo que ele (Vanderlei) não tenha saído daqui preso, considero uma vitória contra a impunidade."O promotor, Wanderson Ribeiro, lembrou que uma das funções da pena é inibir outros casos de violência no futebol. "Estamos satisfeitos com o resultado, a justiça foi feita." A demora do processo, segundo o promotor, foi causada pelo excesso de recursos, além da lentidão natural do Justiça brasileira. O recurso da defesa ainda está sendo estudado. "Não defini o próximo passo. Respeitamos a decisão, mas a consideramos exacerbada" disse Téo Dias, advogado de Vanderlei. A estratégia da defesa era confundir os jurados. Segundo o irmão do acusado, outro rapaz que estava no carro dos palmeirenses também efetuou disparos. Além disso, tentaram caracterizar o crime como homicídio culposo (sem a intenção de matar), cometido sob violenta emoção. O acusado disse que os disparos foram de advertência. O argumento da promotoria, no entanto, foi claro. "Quem pega um revólver e atira em uma avenida lotada não pode dizer que não teve a intenção de matar." Vanderlei estava com um irmão e dois amigos (os três últimos com camisas do Palmeiras) quando sacou o revólver para revidar a provocação de dois corintianos, que estavam em outro carro. Sem qualquer envolvimento com a briga, Paulo Sérgio passava pelo local com outros quatro torcedores do Corinthians na traseira de uma Saveiro. Nenhum deles usava qualquer identificação do clube - na saída do estádio, haviam tirado as camisas para evitarem confusão. Entre as testemunhas ouvidas ontem estavam Jaime Oncins e seu irmão, Alexandre, que também estava ao lado de Paulo Sérgio naquele dia. "Fiquei dez anos sem ir ao estádio depois daquilo", afirma Jaime. Hoje, ele diz que vai raramente a jogos de futebol, e somente quando há poucos torcedores rivais no estádio.

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