Torcedor é tudo igual. Que bom!

Compromissos profissionais afastaram-me das arquibancadas. O privilégio de trabalhar mergulhado em um universo pelo qual sempre fui apaixonado, no caso o futebol, fez - e faz - com que este jornalista frequente estádios pelos quatro cantos do País e tenha tido a oportunidade de conhecer outros tantos pelos quatro cantos do mundo. Mas sempre acomodado na tribuna de imprensa ou em uma cabine de transmissão. Mas cá estou, acometido pela nostalgia e disposto a escrever sobre como era acompanhar meu time nas arquibancadas. Que time era esse? Talvez as próximas linhas o revelem.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Tudo começava uma semana antes, quando os amigos se reuniam para definir a qual jogo iríamos. Era preciso ter noção de planejamento, uma vez que não faltavam adversidades.

Em primeiro lugar precisávamos do dinheiro. Adolescentes que éramos, tínhamos de administrar bem a mesada, mesmo porque o gasto com o ingresso (que na época não custava tão caro) era apenas parte do investimento para assistir ao time do coração. Havia o custo do transporte - trem da linha Mogi das Cruzes/Guaianazes - e do lanche. Hoje parece pouco, mas na época levava-me à bancarrota. Isso sem falar no árduo processo de convencimento dos pais.

Mas é claro que valia à pena. Tanto que nunca lamentamos comprometer todo nosso dinheiro nessas aventuras. Pelo contrário, a paixão ficava tão evidente que mal podíamos esperar pela próxima oportunidade de acompanhar mais um show, ali, no meio da multidão, no coração do estádio. E olha que durante boa parte do jogo nada víamos, uma vez que o mesmo tremular das bandeiras que nos encantava também comprometia a visão do gramado.

Muitas vezes até viajávamos em ônibus fretados pelas torcidas. Lembro-me, certa vez, que saímos em comboio rumo ao Interior, onde ocorreria uma partida decisiva. A emoção era tanta que transformava pessoas que acabavam de se conhecer em grandes amigos, verdadeiros cúmplices. Ah se algum daqueles fosse provocado. Todos tomavam as dores. Até hoje me impressiona a força de integração que a paixão pelo clube exerce sobre as pessoas, aliada, claro, à sensação de proteção daquele ambiente de irmandade.

O prazer e a satisfação de fazer parte daquele movimento coletivo era indescritível. Fosse na alegria ou na tristeza do resultado, para onde se olhava existia dezenas, centenas, milhares prontos para compartilhar o sentimento. E o que era melhor, pessoas capazes de compreender exatamente como me sentia sem que precisasse dizer uma palavra.

Pois é, tenho certeza de que se você é apaixonado por um clube e costuma acompanhá-lo, certamente se identificou com algumas dessas passagens. Isso porque, meu amigo, a cor da camisa e o endereço do estádio podem até ser diferentes, mas a intensidade da emoção de comemorar um gol ou de lamentar uma derrota é a mesma. Torcedor apaixonado é tudo igual. E paixão não se mede, se vive. Mas não morram por ela.

TROCA DE PASSES

"Concordo com suas palavras (sobre bibelôs). Entretanto, também não é menos verdade que jornalistas se deixam levar pela simpatia na hora de falar de "ídolos" ou "desafetos".

Jornalista tem desafetos entre jogadores?"

JOÃO DOMINGOS CUSTODIO

BIRIGUI-SP

Nota da coluna: Caro João, é óbvio que existem simpatias e antipatias. Mas cabe ao jornalista separar considerações pessoais das análises profissionais.

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