Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Torcedor muda costumes, mas sofre com velhas práticas

Fãs tiveram dificuldades no acesso ao Estádio Mané Garrincha e o preço dos alimentos no local

LEANDRO SILVEIRA, Agência Estado

15 de junho de 2013 | 21h08

BRASÍLIA - Na primeira partida válida por um torneio Fifa disputada no Brasil desde a final do Mundial de Clubes de 2000, o torcedor adotou novos comportamentos, mas também sofreu com velhas práticas. No final, deixou o estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha) satisfeito com o bom futebol e a vitória por 3 a 0 sobre o Japão no jogo de abertura da Copa das Confederações.

O torcedor de fora de Brasília que deixou para chegar à cidade apenas no dia da partida desembarcou no aeroporto da capital federal em clima de jogo. Não só porque os voos que pousaram estavam todos lotados de torcedores com camisas amarelas, mas também pela operação especial preparada no local, com dezenas de orientadores.

Segundo um balanço preliminar da Fifa, 20% dos torcedores - mais de 12 mil, portanto - que compraram ingressos para o jogo de abertura da Copa das Confederações, eram de fora do Distrito Federal. A parcela desses que chegou neste sábado foi recebida no aeroporto com ações promocionais dos patrocinadores e inclusive tinham à disposição ônibus que os levavam ao estádio por R$ 8.

A oferta de táxis também era grande, mesmo que os próprios trabalhadores admitissem que não sabem falar uma língua estrangeira, apesar de terem feito cursos rápidos de inglês. Sorte que menos de 5% dos torcedores presentes ao estádio eram estrangeiros, situação que deverá ser bem diferente na Copa do Mundo de 2014.

Na chegada ao local do jogo, porém, as facilidades já não eram mais as mesmas. Com as ruas em torno do estádio fechadas, o trânsito apresentou retenções no final da manhã e no início da tarde. Para piorar, as pessoas esperaram até três horas para efetuar a troca de seus ingressos e sob intenso calor, que os castigava em uma longa fila. Além disso, um protesto atrapalhou o acesso dos torcedores aos portões do estádio - os manifestantes deliberadamente tentavam ficar à frente dos locais de entrada do público.

Os torcedores, aliás, não sabiam qual exatamente era o portão em que deveriam entrar no estádio. Eles, porém, foram bem atendidos por vários orientadores, que indicavam como deveriam proceder. Essa ajuda se repetia no acesso aos respectivos assentos no estádio Nacional. E o público, em sua maioria, respeitou a marcação dos ingressos, algo inimaginável há alguns anos.

Ao contrário do que também vinha acontecendo, os torcedores puderam beber cerveja nas arquibancadas do estádio. E o produto fez grande sucesso, mesmo com os valores de R$ 6 e R$ 9. Mas se havia o que beber, muitos torcedores ficaram sem ter o que comer - diversos bares dentro do estádio não tinham alimentos à venda antes do início da partida.

Na prévia do jogo, o torcedor brasileiro também adotou comportamento raro em estádios de futebol ao aplaudir até a escalação da seleção japonesa, especialmente o nome de Kagawa. Mas não reservou o mesmo "fair-play", como definiu o alvo Joseph Blatter, ao vaiar o próprio presidente da Fifa e também a presidente Dilma Rousseff.

A imensa maioria dos quase 70 mil torcedores presentes ao estádio Nacional de Brasília assistiu ao jogo sentado, se levantando apenas para comemorar os três gols da seleção brasileira - marcados por Neymar, idolatrado pelo público, Paulinho e Jô, que entrou durante o segundo tempo.

Além de comemorar os gols, os torcedores também se manifestaram para pedir as entradas de Lucas, sempre que Hulk errava uma jogada, ou quando a seleção diminuía o ritmo de jogo, quando também era relembrada a eterna rivalidade clubística, com os gritos de "Flamengo (time de maior torcida em Brasília e no País)", seguido de vaias.

De resto, o torcedor presente ao estádio Nacional se comportou mesmo como uma plateia. E acabou sendo premiada com uma boa atuação da seleção brasileira. Agora resta que problemas estruturais sejam resolvidos para que eles também vibrem com o bom atendimento. Brasília tem quase um ano para realizar esses ajustes visando a Copa do Mundo de 2014, quando receberá sete jogos do torneio.

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