Torcedores fazem festa de título para receber o Flu

Classificação heroica na Argentina leva mais de mil tricolores ao aeroporto. Não faltaram provocações a Fla, Muricy e Emerson

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2011 | 00h00

Bandeiras tremulando, cartazes de apoio, cânticos de amor ao clube e a felicidade estampada no rosto de cada torcedor. A torcida do Fluminense preparou uma grande festa para saudar seus "guerreiros" no desembarque da delegação no Aeroporto Tom Jobim, depois da classificação histórica para as oitavas de final da Taça Libertadores, na noite de quarta-feira. Parecia até comemoração de título importante. Cerca de mil tricolores, de todas as faixas etárias, aproveitaram a tarde de sol no Rio, num dia de feriado, para dizer um "muito obrigado" ao time.

Entre tantos fãs, um deles chamava a atenção no saguão do aeroporto. Caracterizado de cartola, o mascote do Fluminense, com blazer grená, calça verde, gravata e os demais acessórios, o tricolor Yan Sousa Ferreira, de 5 anos, já sabia o que era ser guerreiro. Com o sapatinho preto apertado e sentado nos ombros do pai, suportava a dor provocada pelas bolhas nos pés só para ver seu ídolo: o goleiro Ricardo Berna.

"Ele não quer tirar a roupa de jeito nenhum, apesar do desconforto", disse o pai Ronald Ferreira, diante de mais um exemplo de superação. Nos últimos anos, o Fluminense tem se especializado em transformar o improvável em façanha. Em 2009, muitos já davam como certa a queda do time para a Série B do Brasileiro. A torcida abraçou a equipe, que desafiou a lógica e evitou a queda.

Agora, na Libertadores, se desse empate entre América (MEX) e Nacional (URU), em Montevidéu, o Fluminense precisava derrotar o Argentinos Juniors, em Buenos Aires, por dois ou mais gols de diferença. Foi o que aconteceu, com muito sacrifício e pancadaria depois do apito final.

Ironia. Pelo twitter, o atacante Fred, autor de dois gols na vitória por 4 a 2 na Argentina, usou um trocadilho para brincar com o matemático Tristão Garcia, que apontou apenas 8% de chance para o Flu passar de fase na Libertadores. "Eu tô TRISTÃO. Acho que por isso que classificamos, nunca fui bom em matemática mesmo", escreveu.

Eufórica com a classificação, a torcida cantou o nome de cada jogador que cruzava o portão do desembarque e não se esqueceu de provocar dois desafetos: o atacante Emerson e o técnico Muricy Ramalho.

O presidente do Flu, Peter Siemsen, ouviu ontem diversos pedidos para dispensar Emerson, porque ele teria cantado a música "Bonde do Mengão sem Freio" na concentração. A torcida tricolor até hoje também não aceitou a saída de Muricy.

Enquanto o ônibus que levava a delegação deixava lentamente o aeroporto, cercado por torcedores, a trilha sonora mudou e passou a ser "o Urubu (Flamengo), pode esperar, a sua hora vai chegar." Fla e Flu decidem no domingo quem vai disputar a final da Taça Rio.

CIÊNCIA EXATA?

8%

era a chance de classificação do Fluminense para as oitavas de final da Libertadores, segundo projeções feitas por matemáticos antes do jogo de quarta-feira

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