Torcedores invadem treino e exigem reação dos jogadores

Tite reprova atitude, que teve como principais alvos Danilo e Alessandro, ameaçados de perder a posição contra Flamengo

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

O Corinthians é um barril de pólvora perto de estourar. Mesmo na liderança isolada do Campeonato Brasileiro, o clima no clube é tenso. Um dia após o presidente cobrar, publicamente, os jogadores, ontem foi a vez de um grupo de torcedores mostrar sua indignação com a equipe.

Cerca de 30 corintianos foram ao CT Parque Ecológico mostrar sua revolta com a queda brusca de rendimento no Nacional. Levaram faixas, protestaram e, cerca de dez, conseguiram invadiram o campo. A polícia e os seguranças do clube conseguiram evitar que chegassem às vias de fato, como aconteceu há sete meses, após a queda na pré-Libertadores, diante do Tolima.

"Ingresso caro, futebol barato", "elenco medíocre" e "jogadores baladeiros", diziam as faixas. Entre os gritos, alguns jogadores foram chamados de mercenários e foi pedida a saída de Danilo e Alessandro, além do já famoso "não é mole, não, tem de ser homem para jogar do Coringão".

Amanhã, no Pacaembu, o time recebe o Flamengo e novo tropeço - são 19 pontos desperdiçados nos últimos 11 jogos - custará a liderança da competição que já dura 15 rodadas.

Contra a fúria da torcida, Tite promete vitória e um futebol vistoso. O discurso, confiante, é de que o futebol das rodadas iniciais tem tudo para voltar após "jogo com alma" nos 3 a 2 diante do Grêmio e "65 minutos de alto padrão, imposição", diante do Coritiba, na derrota por 1 a 0.

"A gente quer manter a liderança com nível de aproveitamento", diz Tite, que fez questão de blindar o elenco e dar a cara a tapa ontem. Prestigiado no clube, ele reprovou a atitude dos torcedores e pediu apoio para superar o forte Flamengo.

"É desagradável, ninguém gosta e não precisa ser assim. Local de trabalho é sagrado e estamos preparando o Corinthians, que tem milhões de torcedores, por isso não vamos confundir", afirmou. "Foi um fato isolado, de um pequeno número de torcedores, que não serve de motivação, mas que não interferiu."

Ciente de que o Pacaembu estará lotado amanhã, com cerca de 35 mil corintianos, Tite quer ver a torcida do lado, fazendo pressão nos cariocas. "No Corinthians é assim, ou a pessoa o ama, ou odeia. Nossa torcida tem a característica de apoiar o tempo todo, então, tem de ser assim. Até porque, agora a pressão é do céu (para seguir líder)."

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