Torcida aprova evento na Marginal

Houve críticas e alguma insatisfação, mas, no geral, público se divertiu com a primeira edição da corrida na capital

Ana Paula Garrido, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

Eles pensavam que seriam os primeiros a chegar ao autódromo. Ou, ao menos, fugir da fila que pegaram no dia anterior. No entanto, os irmãos Munhoz, Dori e Dorival, que chegaram às 6h15, só conseguiram entrar no autódromo uma hora depois. "Faltou uma logística melhor ao evento, mas o circuito ficou muito bom", disse Dori. O ingresso feito de papel também recebeu críticas: "Parece da década de 90. Teria de ser cartão magnético."

Apesar de não gostar de samba, o Anhembi é um velho conhecido de Dori. De sete a oito vezes por ano, ele frequenta o sambódromo para o encontro de carros antigos. Sobre a corrida, evitou apontar favoritos. "Na pista de rua todo mundo tem as mesmas chances, assim como num clássico de futebol", afirmou.

Por falar em clássico, houve quem preferiu ir ao autódromo a torcer no estádio. Rivais no jogo de ontem, o santista Alex de Paula e o palmeirense Antonio Catapano torceram pelo mesmo objetivo: ter um brasileiro no pódio. "É melhor vir aqui, que é mais elitizado, que estar sujeito a brigas no estádio", explicou Alex.

Na corrida, Antonio se baseou no time do coração para escolher por quem torcer. "Eu espero que o Kanaan ganhe, pois o carro dele é verde e branco", disse. Os amigos, devidamente vestidos com a camisa de cada time, ficaram no setor Vitória. Mas até a saída do autódromo nenhum deles sabia qual equipe venceria o clássico, que começou às 17h.

Pista aderente, público contente. Bastou os carros levantarem poeira no aquecimento pela manhã, andando pela pista reformada no sambódromo, para o público vibrar. Instantaneamente, o pessoal sacou suas câmeras fotográficas e filmadoras.

Se no treino classificatório, ontem pela manhã, não houve muita audiência, o mesmo não se pode dizer da corrida. Quem se atrasou para chegar teve de correr para não perder a largada, com arquibancadas lotadas.

O pesquisador Eduardo Carita aproveitava mais a oportunidade para admirar as motos, que circulavam na Marginal, em vez dos carros da corrida. "É um desfile o que a gente vê daqui", comemorou o apaixonado por motocicletas. "Fiquei um ano sem andar de moto e sonhava que estava voando sobre duas rodas."

Mulheres. Assim como na pista, as mulheres também compareceram na arquibancada. Aparecida Geraldo Ferreira, de 54 anos, foi com um grupo de amigos. "Gosto muito de automobilismo e sempre vou. Só na Fórmula 1 que não tenho ido muito, porque está cada vez mais caro." A primeira etapa da temporada da Indy a agradou em cheio: "O barulho chega até a arrepiar."

Outra amante da velocidade é Francilene Peixoto, que foi sozinha ao evento. "Sempre consigo fazer novas amizades durante a corrida", disse ela, que acompanha automobilismo desde 2006.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.