Torcida de credenciados tumultua ainda mais final do tênis

A torcida da final do tênis eradaquelas que "cabe numa kombi", mas nem por isso os atletas sesentiram desamparados na hora da última medalha. Fosse na arenacom capacidade para 2.600 pessoas no Clube do Marapendi, ecertamente todos teriam passado desapercebidos. Mas os cerca de100 espectadores que assistiram à vitória de Flávio Sarettasobre o chileno Adrián Garcia na obscura quadra coberta daAcademia de Tênis do Recreio, escolhida por causa da chuva,conseguiram tumultuar o ambiente. O mini-público deu uma aula de deselegância com celularestocando a todo momento, conversas em alto volume no radio eríspidas discussões com troca de xingamentos entre chilenos ebrasileiros, além claro das já conhecidas vaias. Detalhe: dessa vez não se pode culpar a culturafutebolística dos torcedores brasileiros pelos incidentes, umavez que a platéia era formada quase exclusivamente porconvidados, dirigentes, atletas e jornalistas. Não houveentrada de torcedores. Quem comprou ingresso terá o dinheirodevolvido. "É difícil segurar a onda de todo mundo, na quadra cobertaqualquer barulinho da eco, qualquer coisa fica muito alto. Éclaro que atrapalha, mas não foi só para mim," disse Saretta,que por diversas vezes durante o jogo pediu silêncio aotorcedores e demonstrou irritação quando os celulares tocavam. Exaltados pelo emoção da partida, em que os dois tenistastrocaram por diversas vezes de posição na liderança, oschilenos enotaram coros de apoio ao tenista do país. Apesar deem menor número, eles eram melhor organizados e pareciam semultiplicar. Os brasileiros demoraram mas responderam, liderados por umalíder de torcida inesperada, a árbitra auxiliar de futebol AnaPaula de Oliveira, que disse ter "amigos em comum" com Saretta. A cada ponto para o brasileiro, fossem por um acerto seu oupor erro do adversário, Ana Paula saltava da cadeira e pedia oincentivo dos outros espectadores, entre eles funcionários doclube, motoristas da organização e alguns poucos convidados deSaretta. "Tenho muitos amigos que gostam de tênis e que são amigosdo Saretta também. Viemos juntos para ver a final, mas tambémassistimos à final do vôlei masculino ontem," disse ela àReuters. Um dos mais animados com a presença de Ana Paula era FelipeValério, de 17 anos, boleiro do clube que mal podia acreditarque a decisão da última medalha de ouro do Pan-Americano estavasendo disputada em seu local de trabalho. Ele ficou maissurpreso ainda ao ver a bandeira, considerada musa dosgramados. "Isso aqui nunca teve tanta gente assim, e pelo o que euestou acostumado dos torneios internos, a torcida hoje está bemmais animada," disse.

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