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Torcida do Palmeiras ensaia protesto em noite de eleição no clube

Conselheiros elegem nesta quarta o novo presidente em pleito que promete ser tenso

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

A noite desta quarta promete ser de tensão na Academia de Futebol durante a escolha do novo presidente do Palmeiras para os próximos dois anos. No ginásio, as urnas eletrônicas estão prontas para receber os votos dos cerca de 280 conselheiros. Do lado de fora, as organizadas do clube prometem protesto. A segurança estará reforçada.

As reclamações da torcida já começaram antes mesmo do pleito. E as faixas não serão apenas contra o time e a administração de Luiz Gonzaga Belluzzo, que não conquistou nenhum título desde que assumiu o cargo, em 2009. O pedido vai ser por eleições diretas.

Ao contrário do que ocorre em alguns clubes, como o Corinthians, são os conselheiros que escolhem o presidente alviverde. E a torcida quer que os associados também possam dar seu voto. A briga atual para assumir o comando está entre dois candidatos da situação, Salvador Hugo Palaia e Paulo Nobre, e um da oposição, Arnaldo Tirone, considerado o favorito.

Diferentemente de dois anos atrás, quando Belluzzo se lançou candidato único pela atual situação, agora houve um racha. Palaia se considerava o substituto natural do atual presidente, mas viu Nobre entrar na luta pelos votos e disparou reclamações para todos os lados. Belluzzo não entendeu as críticas. "Não assumi compromisso com ninguém (de dar apoio nas eleições). Ele (Palaia) está delirando. Aliás, ele foi infeliz nas declarações a meu respeito. Exemplo deplorável da miséria humana. Não estou com raiva, mas estou com pena", rebateu o presidente à ESPN Brasil.

Apesar de todos os problemas políticos, os candidatos falam em paz. "O novo presidente tem de mostrar nova dinâmica e ter transparência", disse Tirone. "Ganhando ou não, vou trabalhar pela pacificação", afirmou Palaia, que criticou Paulo Nobre por não apoiá-lo. "O Palmeiras tem tantos problemas e eu tenho de imaginar como resolvê-los. Não dá pra ficar me preocupando com o que ele (Palaia) falou", respondeu Nobre.

Em comum, os três não escondem que é preciso dar um jeito na parte financeira do clube para diminuir as dívidas que giram em torno dos R$ 150 milhões. E, por enquanto, todos eles falam em manter a base do time, incluindo Felipão. Mas, se Tirone ganhar, além de reformular toda a diretoria, mudanças também vão ocorrer no time, e até o treinador pode cair - mas só depois do Estadual.

Além do presidente, os conselheiros escolhem nesta quarta os quatro vices.

Dica. Conhecedor dos problemas do clube e por tudo o que passou, Belluzzo dá um conselho a quem ganhar. "Não se deixe levar pela emoção, que foi um erro que eu cometi ao criticar o [Carlos Eugênio] Símon", comentou, lembrando o episódio com o árbitro que anulou um gol de Obina no Brasileiro de 2009, contra o Fluminense.

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