Torcida do Tottenham teme ação de extremistas italianos

A bandeira do time inglês traz estrela de Davi como símbolo, o que poderia[br]incitar atos violentos de neo-fascistas

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

O futebol europeu é mais uma vez afetado pela força de grupos neo-fascistas nas arquibancadas da milionária Copa dos Campeões. Nesta semana, os torcedores do inglês Tottenham Hotspur foram alertados a não levar sua tradicional bandeira para o jogo de hoje com a Inter de Milão, no Estádio de San Siro. A bandeira traz uma estrela de Davi, símbolo do clube e também presente na bandeira de Israel.

O alerta foi feito pela torcida organizada do Spurs em seu site a todos que fariam a viagem até a Itália sob o risco de torcedores neo-fascistas usarem a presença da bandeira com a estrela para iniciar atos violentos.

Segundo os Spurs, a recomendação foi dada depois que o clube conversou sobre aspectos de segurança com a polícia de Milão. Ontem, tanto as autoridades italianas como a Uefa se apressaram a tentar apagar o incêndio causado pela recomendação, insistindo que nunca baniriam as bandeiras dos estádios. Mas a organização de torcedores confirma que a recomendação foi passada pela própria polícia. Tradicionalmente, os Spurs tem sido apoiado pela minoria judaica.

Mas o símbolo na bandeira não está associado à religião. A relação entre a estrela de Davi e o Spurs vem de 1880. A notícia deixou o presidente da Associação Judaica na Itália, Vittorio Pavoncello, perplexo. "A polícia deveria banir aqueles que insultam esse símbolo, e não o símbolo."

No ano passado, torcedores de extrema-direita do Chelsea foram flagrados cantando no estádio "Spurs estão à caminho de Auschwitz (campo de concentração usado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial)." A direção do clube abriu um processo.

O caso é mais um exemplo concreto da força da extrema-direita nos campos da Europa. Há uma semana, grupos neo-fascistas da Sérvia impediram que um jogo entre a seleção nacional e a Itália ocorresse. Nas arquibancadas, placas como "Morte aos albaneses" e "Kosovo é nosso" eram mostradas.

Estudos realizados por especialistas e pela própria Uefa indicam que a crescente participação de grupos neo-fascistas no futebol, um sinal da maior adesão de jovens às tendências políticas de extrema-direita.

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