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Torcida única é fracasso

Clássico com torcida única não é novidade. Vira e mexe a medida é colocada em prática na Argentina e já deu o ar da desgraça por aqui. Pois a segregação estará de volta, se não houver alteração, no jogo entre Grêmio e Internacional, marcado para a tarde de domingo em Porto Alegre.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2013 | 02h05

A restrição foi anunciada ontem pelo Ministério Público gaúcho ao acatar recomendação da Polícia Militar local. As autoridades não garantem segurança para o deslocamento dos torcedores colorados até o novo estádio do Grêmio. Há riscos de confrontos entre facções rivais. Daí, a sugestão para permitir a entrada apenas dos seguidores do time mandante.

Uma análise superficial indica que se trata de atitude de bom senso. Se paira a ameaça de violência, algo tem de ser feito. Evidentemente. Então, melhor prevenir do que remediar, dirá um admirador do conselheiro Acácio, personagem de Eça de Queirós que só enxergava o óbvio em qualquer situação.

Não é assim. Com recursos técnicos e de inteligência de que dispõe, o Estado tem obrigação de detectar os focos de tensão. É possível identificar quais são os radicais de cada banda, não fica difícil descobrir locais de emboscadas. Os responsáveis por provocações e vandalismos são figurinhas carimbadas. As confusões, mesmo os mais desavisados sabem, não partem dos fãs anônimos, aqueles que curtem o futebol como lazer e nada além disso. Elas brotam de grupelhos manjados.

Por isso, quando um governante decreta que as arquibancadas não sejam compartilhadas de maneira democrática, passa o recado de impotência, mantém via livre para os extremistas circularem à vontade. Eles continuarão a sentir-se donos do pedaço, todo-poderosos. E o cidadão comum, esse pobre coitado, ficará privado da diversão.

O apoio popular virá, desde que os envolvidos na organização do futebol deem provas de preocupação em todos os detalhes: nos meios de transporte, no conforto nos estádios, no preço justo de serviços e ingressos. E no combate, ininterrupto, à ação dos que transformam o futebol em fonte de terror, de ódio e de rixas entre gangues. Torcida única é paliativo e fracasso.

E não tem coisa mais chata do que clássico com tanta tradição só com as cores de uma camisa? Ainda bem que dirigentes de Grêmio e Inter não concordam com a restrição e pretendem derrubá-la. Tomara tenham sucesso.

Longe do furacão. A excursão que começa hoje aparentemente vem em boa hora para o São Paulo. Por um punhado de dias, jogadores e comissão ficarão distantes de cobranças e darão belo passeio. Há quem considere o giro saudável para Paulo Autuori estreitar convivência com os atletas e testar variações para a equipe. Faz sentido. Os resultados dos amistosos, no entanto, devem ser encarados com cautela. Derrotas ou vitórias só terão significado se representarem lições para o prosseguimento da temporada. O importante estará aqui, no retorno, talvez com a lanterna da Série A. O desafio tricolor se concentra em reencontrar rumo na competição, que passa por acertos entre atletas e entre dirigentes.

Marcha à ré. O governador Sérgio Cabral decidiu ouvir a "voz das ruas" e recuou na intenção de derrubar o Parque Aquático Julio Delamare, um dos equipamentos mais importantes da natação nacional. O espaço iria abaixo para permitir construção de estacionamento e lojas no complexo do novo Maracanã. Tradição e utilidade do local foram ignorados ostensivamente, apesar dos protestos de pessoas ligadas ao esporte. Os protestos no Rio e as pesquisas que indicam baixo índice de aprovação fizeram Cabral voltar atrás. Se ele lucrará com isso, não sei. O certo é que valeu a pressão. O esporte lucra.

Luxa de volta. E Vanderlei Luxemburgo virou a salvação para o Fluminense... Os clubes não têm projeto e apelam para os nomes rotineiros. Luxemburgo faria bem a si próprio se curtisse um período sabático.

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