Fábio Minduim/Divulgação
Fábio Minduim/Divulgação

Tradição da família Toledo se garante nas ondas de Ubatuba

Filhos do bicampeão brasileiro Ricardo disputam etapa do circuito em Itamambuca

Paulo Favero, estadão.com.br

23 de setembro de 2011 | 22h43

A família Toledo não consegue se desgrudar das pranchas. Ricardo, o pai, foi quem iniciou tudo isso. Filho de um fisiculturista, o garoto começou cedo nas ondas de Ubatuba e teve as dificuldades de uma geração inteira de esportistas. “As pessoas falavam que surfista era vagabundo, maconheiro. Mas meu pai tinha uma academia e era bastante conhecido na cidade, e isso ajudou. Ele me incentivava numa época na qual o surfe era marginalizado”, afirma Ricardinho, como é chamado pelos amigos. “O preconceito ainda existe, apesar de ter mudado bastante.”

Por essas coincidências da vida, ele conquistou o título do Circuito Brasileiro em duas ocasiões, justamente no ano de nascimento de seus filhos Matheus e Filipe, 1991 e 95, respectivamente. “Para completar, em cada ano desses eu ganhei duas etapas e como prêmio me deram um carro”, lembra. Agora, ele vê o evento completar 25 anos de história e em 2011, as cinco etapas darão uma premiação total de R$ 1 milhão. Ele conhece todo o trajeto e faz parte desta história.

Mas o surfista, que ainda está em atividade e disputa competições na categoria master (ele vai representar o Brasil em outubro numa competição em El Salvador), jura que nunca pediu para os filhos trilharem o mesmo caminho nas ondas. Ele garante que a opção foi natural. “Desde pequenininho eles me viam competir, foi assim a minha vida toda. Mesmo grávida minha mulher me acompanhava. E quando eles nasceram não foi diferente. Eles sempre estavam presentes e, além de uma infância normal, com os brinquedos comuns, eles tinham também uma prancha como mais uma opção de brinquedinho. Com certeza, essa herança de esportes fez toda diferença.”

Ainda morando em Ubatuba, Ricardinho viu o filho mais velho participar do Brasil Surf Pro praticamente no quintal de sua casa, em Itamambuca. O rapaz de 20 anos começou bem a competição, mas acabou caindo diante do catarinense Tomas Hermes, líder do Circuito Brasileiro. “Ele já obteve várias conquistas como amador, se profissionalizou cedo, foi campeão municipal com 17 anos e no ano passado foi campeão paulista”, diz.

Ricardinho foi até a praia para ver o filho mais velho competindo, mas confessa que não consegue ficar calmo. “Eu nunca fiquei tão nervoso em minha vida de competidor como fico quando vejo eles no mar. Eu sempre tento conversar e ajudar antes das provas, para eles entrarem na água mais tranquilos.” Matheus ficou um tempo sem patrocínio, mas agora acertou com a Wagon e tem alguns apoiadores.

Já o outro filho, Filipe, vem se destacando e atualmente está na Indonésia. “Ele acabou de chegar lá e vai competir no Mundial de Juniores em Bali, em outubro. Ele vinha na sombra do Matheus e é um surfista bastante competitivo. Ele tem uma vontade de vencer, não se permite errar, e eu também era assim. Acho que foi hereditário”, afirma. O garoto de 17 anos tem patrocínio da Nike, dentro de um projeto da empresa de promoção dos esportes radicais.

Quando olha para trás, Ricardinho sabe que cumpriu sua missão como pai e como esportista. Ele ajudou a divulgar o surfe no Brasil e agora vê em sua cidade a terceira etapa do Circuito Nacional, que além de oferecer R$ 200 mil em prêmios, também volta o foco para a temática ambiental, com o programa Petrobras Surf Pelas Florestas. Ele sabe que tudo isso será importante para o futuro não só de seus filhos, mas também dos netos e bisnetos. Que também terão a opção de escolher o surfe.

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