Fernando Vergara/AP
Fernando Vergara/AP

Tradicional no esporte, Cuba tenta se reerguer no Pan-Americano de Lima

País da América Central ficou apenas na quarta colocação na última competição, em Toronto-2015

Paulo Favero, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 16h26

Cuba sempre foi uma grande potência esportiva, mas nos últimos anos perdeu força no cenário internacional e essa situação ligou o sinal de alerta na ilha. Para tentar retornar aos tempos áureos, aos poucos os dirigentes vão mexendo na política esportivo para permitir que atletas que deixaram o país para atuar no exterior possam retornar para vestir o uniforme vermelho.

A quarta posição no quadro de medalhas dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, chamou a atenção, principalmente pelo desempenho abaixo do esperado. Cuba ficou atrás de Estados Unidos, Canadá e Brasil, pela ordem, e conquistou 36 medalhas de ouro, com 97 pódios no total.

O número foi bem abaixo das edições anteriores. Só para se ter uma ideia, no Pan de Santo Domingo, em 2003, os atletas cubanos levaram o país para o segundo lugar no quadro de medalhas, com 72 ouros e 152 pódios. Quatro anos depois, no Rio, manteve a vice-liderança, mas obteve 59 ouros e 135 medalhas. No Pan de Guadalajara, em 2011, Cuba continuou na segunda posição, com 58 ouros e 136 pódios.

A queda abrupta na última edição dos Jogos Pan-Americanos colocaram em xeque o projeto esportivo e agora a delegação de Cuba se contenta em apenas melhorar sua campanha de Toronto em 2015. Se conseguir isso, já será motivo de festa e mostrará que o país voltou aos trilhos quando o assunto é esporte.

Dentro das mudanças que o governo vem fazendo, a mais significativa é em relação aos atletas que deixaram o país para jogar no exterior. A presença do atacante Leal, no vôlei do Brasil, ajudou a acelerar o processo. Outro que atua fora é Leon, na seleção da Polônia. Com receio de perder outros talentos, Cuba já aceita atletas que saíram do país de maneira amigável - para quem fugiu, a possibilidade de vestir o uniforme cubano não existe por enquanto.

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O central Roberlandy Simón puxou a fila de "filhos" que retornaram para casa. Outros dois fizeram o mesmo: Michael Sánchez e Raydel Hierrezuelo. Eles eram impedidos de jogar por Cuba, mas solicitaram à Federação Cubana de Voleibol e foram aceitos. Essa política tem tudo para ser aplicada aos poucos em outras modalidades e entre os procedimentos, os atletas terão de ter a anuência da federação para uma transferência ao exterior.

No Pan em Lima, Cuba terá uma delegação de 420 atletas. O principal nome é o tricampeão olímpico da luta greco-romana, Mijaín Lopez. Ele vai em busca do seu quinto título consecutivo. Ángel Fournier, do remo, quer sua quinta medalha de ouro. Outros destaques são Serguey Torres (canoagem velocidade), Lázaro Álvarez Estrada e Julio César La Cruz (boxe) e Idalys Ortiz (judô), entre outros.

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