Armando Franca/AP
Armando Franca/AP

Treinador novato é a estrela do Porto

Aos 33 anos, André Villas Boas já chama a atenção de clubes italianos e pode levantar sua primeira taça europeia em Dublin

PAULO VINÍCIUS COELHO, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

DUBLIN, IRLANDA - Juventus e Roma pensam em contratar André Villas Boas, o técnico do Porto que pode entrar na história nesta quarta-feira, às 15h30 (de Brasília, com transmissão da rádio Estadão ESPN), na final da Liga Europa, contra o Braga, como o mais jovem a dirigir um time campeão de uma copa europeia.

Villas Boas tem 33 anos e uma razão forte para não aceitar os convites da Itália: a multa de rescisão. Para romper os dois anos de contrato com o Porto, terá de fazer seu novo clube desembolsar 15 milhões (cerca de R$ 34 milhões).

Filho de família tradicional, Villas Boas tinha 16 anos e vivia no mesmo condomínio do técnico inglês Bobby Robson. Um dia, encontrou-se com o treinador, na época no Porto, e passou a lhe enviar relatórios sobre a equipe. Acabou contratado como olheiro.

Por indicação de Robson, fez estágio no Ipswich, da Inglaterra, e virou treinador da seleção das Ilhas Virgens. Em 2002, voltou ao Porto, como auxiliar de José Mourinho, a quem acompanhou, também como assistente, no Chelsea e na Inter de Milão. "Ele não fala sobre isso, mas dizem que estão rompidos", avisa Pedro Ivo, repórter do Jornal de Notícias de Portugal.

Diferentemente de Mourinho, não gosta de ser visto como estrategista. "Não vejo o futebol como algo individual, mas coletivo. Meu papel é o de motivar os jogadores e dar a eles liberdade", diz.

O resultado dessa filosofia é que os jogadores o adoram. Na entrevista coletiva desta terça-feira, o goleiro brasileiro Helton foi questionado sobre como definiria, em uma palavra, André Villas Boas. Sua resposta: "Amigo".

Após a ruptura com Mourinho, tirou a Acadêmica de Coimbra da última colocação e levou-a à 11.ª, dez pontos acima da zona de rebaixamento. Foi semifinalista da Taça de Portugal, o que produziu o interesse do Porto.

Sua primeira temporada num clube grande reforça as comparações. Como Mourinho, ganhou o título nacional, mas invicto. Mourinho ganhou a Taça de Portugal e a Copa da Uefa. Villas Boas está nas duas decisões e diz, sem modéstia: "Preciso ser sincero e dizer que os números desta temporada não serão repetidos na era moderna."

Referia-se ao Campeonato Português, conquistado com 27 vitórias e 3 empates, campanha só comparável ao título invicto do Benfica em 1973, com 28 vitórias e 2 empates. Na soma das competições, o Porto jogou 49 partidas, venceu 45 e perdeu 3. Tudo isso reforça o interesse de equipes italianas, inglesas e espanholas. O difícil, porém, vai ser encontrar caminhos para tirá-lo do Porto.

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