Treino contra China vira goleada

Diante de um dos adversários mais fracos da sua história, Brasil vence por 8 a 0, com três gols de Neymar, para alegria da festiva torcida pernambucana

ALMIR LEITE, PAULO GALDIERI, ENVIADOS ESPECIAIS / RECIFE, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2012 | 03h01

Desde que se reuniu para os dois amistosos no Brasil, a seleção enfatizou: só precisava de carinho e um voto de confiança. Ontem, embalada pelo entusiasmo da torcida pernambucana - e auxiliada pela qualidade técnica bastante díspar da China- veio a resposta em forma de goleada.

Os 8 a 0 sobre os chineses aconteceram em um Estádio do Arruda que não estava lotado, mas imbuído do sentimento patriótico que historicamente os torcedores do Recife costumam demonstrar. A seleção cantou o Hino Nacional abraçada - num gesto incomum em outras partidas e que ocorrera no mesmo Estádio do Arruda há 17 anos, quando os futuros tetracampeões, na ocasião tão ou mais criticados que os jogadores de agora, entraram em campo de mãos dadas.

Os gols também serviram para acalmar críticas levantadas pelas vaias ouvidas no jogo anterior dos também historicamente críticos paulistanos e para dar a Mano Menezes um tempo a mais na busca pelo time que terá a missão de, daqui a dois anos, vencer a Copa em casa.

Mas tanto quanto o ambiente bem mais confortável e acalorado do Recife, a fragilidade do adversário também ajudou a seleção a vencer sem problemas. A China é a seleção com a colocação mais baixa no ranking da Fifa (79.º lugar) que já enfrentou o Brasil desde que Mano Menezes assumiu o comando.

Os chineses demoraram 45 minutos, isto é, todo o primeiro tempo, para conseguir dar um mísero chute a gol, e para bem longe da meta de Diego Alves.

Os pernambucanos nem ligaram. Estavam no estádio para ver os dribles de Neymar, os passes de Oscar, os chutes de Hulk, as arrancadas de Lucas. E, embora com erros e sem o entrosamento que se poderia esperar de uma equipe que vem sendo construída, na teoria, desde 2010, o time correspondeu.

Neymar, que sentiu em São Paulo o gosto amargo das vaias e dos gritos de "pipoqueiro", foi o mais celebrado com gritos ao marcar o segundo gol. Ramires já abrira o caminho da vitória, também no primeiro tempo, com um golaço, com direito a tabela com Oscar e toque requintado na saída do goleiro.

O resultado arrancou aplausos das arquibancadas desde o intervalo. E, no segundo tempo construído quase sem nenhuma dificuldade, logo se desenhou. Lucas, ainda no início da etapa final, fez o terceiro para o Brasil. Hulk, logo depois, transformou o placar em goleada.

Neymar fez mais um gol e executou mais uma de suas dancinhas, para delírio e gritos histéricos das "neymarzetes". Depois, fez outro e puxou uma comemoração que foi a retribuição à torcida pelo carinho. Todos os jogadores de linha se juntaram ao craque para aplaudir e agradecer. Liu, contra, ajudou. Oscar, de pênalti, concluiu o placar.

Assim como em 1993, o Brasil goleou um rival fraco e saiu de Pernambuco ovacionado. E, agora, ainda com tempo para se acertar e jogar contra seus rivais mais fortes, certamente espera que as coincidências de ontem continuem até a Copa.

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