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Treino na rua é batismo de fogo para novatos

Principal teste é suportar os insultos e piadas durante os treinamentos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2016 | 07h00

O batismo de fogo para quem quer se tornar marchador é o treino na rua. O problema não está relacionado ao piso irregular. A encrenca é se controlar diante dos insultos e das piadas ofensivas. “Se o atleta tem vergonha, ele não vai ser marchador. As pessoas falam mesmo, xingam e o atleta não pode se desconcentrar”, diz a técnica Gianetti Sena Bonfim. “O treino na rua é o batismo de quem está começando”, completa o técnico João Sena.

Max Batista Gonçalves dos Santos passou pelo batismo. O vice-campeão brasileiro e líder do ranking na categoria sub-23 conta que foi sofrido. “Meu primeiro treino na rua foi um pouco chato. As pessoas falavam para eu parar de rebolar. Fiquei triste, mas superei. O Caio conversou comigo e acabou me ajudando muito”, conta. “Com a marcha atlética posso realizar o meu sonho de chegar a uma Olimpíada”, planeja o atleta de 22 anos.

Amélia Fortunato de Lemos, outra promessa da marcha atlética, classifica como “ignorantes” as pessoas que ainda xingam os atletas nas ruas. Diz que não sofreu discriminação na primeira vez que treinou na rua, mas sabe que foi uma das exceções do grupo.

João Sena, pai de Caio, marido de Gianetti e treinador de Max e Amélia, é reconhecido no Distrito Federal. Na pista há 36 anos, ele coordena atualmente um grupo de 30 alunos a partir dos 14 anos que se dividem nas categorias mirim, menor, juvenil e adulto do Centro de Atletismo de Sobradinho (Caso). Para incentivar os atletas, costuma levá-los aos treinos com seu próprio carro quando eles não têm condução.

O centro faz parte da trajetória de sucesso de alguns atletas brasileiros, como a ex-corredora Carmem de Oliveira, recordista sul-americana de maratona desde 1995 e primeira brasileira a vencer a São Silvestre. De 26 atletas que se tornaram campeões brasileiros, sete saíram do centro

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