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Três destinos

Tite, Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo dirigem três dos mais importantes e populares times do Brasil e dispensam apresentações. O currículo de cada um fala por si, com a coleção de títulos nacionais, estaduais e internacionais que ostentam. O trio faz parte da elite da categoria, persegue conquistas e cada um vive período distinto na temporada atual.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2015 | 02h02

A bola da vez é o gaúcho Tite. Depois de ganhar tudo com o Corinthians até 2012, saiu no fim de 2013, tirou ano sabático em 2014 e voltou ao Parque São Jorge na atual temporada. Viajou, observou, refrescou a cabeça. A pausa aparentemente lhe fez muito bem e, por extensão, à equipe que retomou nas mãos.

O Corinthians de início de 2015 é impecável - no mínimo nos resultados, pois se mantém invicto e curte maré mansa no Paulista e na Libertadores. Mas não se limita a brilhar nas estatísticas. Embora não acumule apresentações espetaculares, também não oscila a ponto de sair de campo vaiado ou sob desconfiança. Sentimento, por exemplo, provocado pelo São Paulo com constância preocupante e irritante.

Ao contrário, a equipe de Tite esbanja serenidade, autocontrole e confiança dos que sabem o que querem e como alcançar objetivos. Jovens e veteranos dão conta do recado. Até o momento, difícil apontar ponto fraco, tamanha uniformidade entre os setores. E, como o futebol em campo ainda é praticado por gente e não por robôs, se beneficia do embalo de Cássio, Gil, Elias, Jadson, Emerson, Danilo, Guerrero e outros coadjuvantes. Vitórias e empates surgem com naturalidade, como consequência da postura do grupo.

Tite tem muito a ver com isso, pelas atitudes claras, transparentes e nada afetadas. Ok, às vezes o discurso parece o de um pregador, com impostação de voz a dar dramaticidade ao que diz. Além disso, justiça se faça, herdou a base erguida por Mano Menezes.

Tite tem dosado bem o desgaste dos jogadores. No melhor estilo dos europeus, optou por rodízio, e a escalação depende da exigência de cada desafio. Treinador e time estão no rumo certo - e não há demérito em elogiar. O Corinthians tem potencial para crescer e combinar mais jogo bonito e eficiência, parceria que não é blasfêmia. Pecado é ficar à espreita de que saia algo errado, para apontar o dedo e dizer: "Eu sabia que era tudo papo furado."

Conversa fiada rola muito pelos lados do Morumbi. Muito diz que diz e pouca bola. O São Paulo não se acerta, dentro e fora de campo. Um tem ligação com outro, passa e envolve Muricy. O treinador andou na corda bamba um tempo atrás, por indiretas trocadas com dirigentes (se bem que nunca citou nomes) e até com pedido de demissão, depois da derrota para o Palmeiras por 3 a 0 no Paulista.

A cúpula tricolor rejeitou a toalha atirada e, aparentemente, deu força a Muricy. No que agiu bem. Não vale a pena mudar agora, enquanto o São Paulo briga para seguir adiante na Libertadores. Depois, é outra história.

A resposta na prática não convence. Raras as vezes em que o São Paulo encheu os olhos nestes quase três meses de bola a rolar. Gente que chegou - Bruno, Carlinhos, Cafu, Thiago Mendes - não rende, assim como outros que estavam na casa. Mesmo Muricy não vibra como lhe é característico. Tem sido mais contido, não só por problemas recentes de saúde. Talvez por não se empolgar com o que tem visto. Cabe a ele, como gestor, encontrar a saída para o dilema em que se vê enredado, antes que seja atropelado pelos fatos.

Atropelo sofreu Luxemburgo, mas não no tapete verde da grama, mas no tapetão dos tribunais. O técnico não poderá dirigir o Flamengo no clássico de hoje com o Flu, nem na última rodada, para cumprir suspensão. O motivo da punição? Criticou o regulamento do Campeonato Carioca e os guardiães da moral consideraram ofensivo quando usou a palavra "porrada" como sinônimo de "crítica" e não de "surra". Triste ver um profissional experiente ser calado à força, na lei da mordaça.

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