Três mulheres poderosas da Fórmula 1

Uma é diretora da Sauber, a outra trabalha na Ferrari e a terceira comanda um batalhão em Interlagos

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h04

SÃO PAULO - Quem vive o ambiente da Fórmula 1 sabe que são raros os casos de mulheres em posição de chefia ou em áreas técnicas da categoria. Mas o GP do Brasil é oportunidade para reunião de três delas. A inglesa Lucy Taylor é analista sênior de fluidos da empresa Shell e trabalha diretamente na equipe Ferrari. A brasileira Claudia Ito é diretora executiva da Interpro, empresa responsável pela prova em Interlagos, e a indiana Monisha Kaltenborn é sócia-diretora da equipe suíça Sauber.

O GP do Brasil tem sido especialmente tenso para Lucy. A geóloga sabe que seu trabalho de analisar amostras de gasolina e óleo tem de ser feito sem falhas. "Imagine se encontram alguma irregularidade na gasolina. Isso pode colocar a perder um título." A punição para esses casos pode ser a desclassificação do piloto, o que seria o fim do sonho de Fernando Alonso.

Lucy explica que faz cerca de 30 análises em um único fim de semana de corrida. Sua missão é garantir que a gasolina e o óleo estejam dentro dos padrões estabelecidos pela Fórmula 1.

Ela disse que jamais imaginou que um dia trabalharia em uma equipe de Fórmula 1. "Quando era menina via algumas corridas na tevê, mas aquilo parecia longe da minha realidade." Hoje ela diz que está feliz por trabalhar na categoria, que tem presença predominante de profissionais do sexo masculino. "Algumas amigas dizem que sentem inveja por isso", conta, rindo.

Trabalho em equipeClaudia Ito comandará um exército de 10 mil pessoas que vai trabalhar no GP do Brasil. Praticamente tudo o que acontece em Interlagos é de sua responsabilidade. Ela conta que nos dias que antecedem a prova a correria é grande para que as coisas saiam conforme o planejado.

"O que facilita é você ter uma boa equipe, porque ninguém faz um trabalho como esse sozinha. Na realidade, boa parte do grupo trabalha junto há cerca de 20 anos."

O maior desafio de organizar um GP, segundo Cláudia, é manter as pessoas trabalhando o ano inteiro no ritmo, de forma que quando chegue o momento da corrida tudo esteja pronto. "O outro é motivar a equipe mesmo nas horas mais tensas. Mas com a camaradagem, que é grande nesta equipe, tudo dá certo."

Quando assumiu 33% da Sauber, a indiana com cidadania austríaca Monisha Kaltenborn se tornou a primeira mulher a ser proprietária e diretora de equipe na Fórmula 1. Ela não acredita em diferenças entre a forma de uma mulher ou de um homem liderar.

"Se existem não é pelo fato de alguém ser homem ou mulher. O que posso dizer é que se há alguma característica tipicamente feminina na hora de trabalho talvez seja o de as mulheres prestarem mais atenção no fator emocional que envolve as questões."

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