Tricampeão

Marilson deixa para trás os quenianos, ganha pela terceira vez e se torna o brasileiro com mais vitórias na fase internacional da prova

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Única esperança do País na São Silvestre, Marilson Gomes dos Santos não decepcionou ontem e conquistou seu terceiro título na prova paulista com uma exibição bastante segura, em 44min07s. O brasilense de 33 anos desbancou sete favoritos africanos para devolver ao Brasil o lugar mais alto do pódio, que nas últimas três edições ficou com atletas quenianos. O recorde não veio, mas Marilson já entrou para a história: é o primeiro brasileiro tricampeão na era internacional, que teve início em 1945. No feminino, a queniana Alice Timbilili repetiu 2007 e levou o bi com a marca recorde de 50min19, seguida pela surpreendente brasileira Simone Alves da Silva (leia mais na pág. E2).

Marilson não participava da tradicional corrida desde 2005 e mostrou que valeu a pena esperar para retornar em boa forma. Desde a metade da prova, o atleta da BM&F/Bovespa disparou na liderança e não deu chances aos rivais. Chegou com mais de 200 metros de folga em relação aos quenianos Barnabas Kosgei e James Kipsang Kwambai, 2.º e 3.º lugares, respectivamente. "Achei que a corrida seria decidida no final, mas consegui abrir vantagem e foi melhor assim", disse o campeão, que encerrou o jejum desde a vitória de Franck Caldeira, em 2006, com um tempo bastante semelhante ao do atleta mineiro, que havia terminado o percurso em 44m06 naquela oportunidade.

A marca dos corredores ficou bem inferior à do recorde de 1995, estabelecido pelo queniano Paul Tergat (43min12). Apesar do tempo nublado e da temperatura amena, cerca de 24 graus, o bicampeão da Maratona de Nova York apontou condições difíceis para vencer a prova em São Paulo. "O tempo estava muito úmido e prejudicou o desempenho dos atletas. Todos correram num tempo bem abaixo do que poderiam."

Vitória para a família. O campeão dedicou a vitória à mulher, Juliana, e ao filho Miguel, que vai nascer em fevereiro. "Esse título é para o meu filho. Ele já chega me dando força." A vitória de ontem começou a ser construída na chegada ao Elevado Costa e Silva. Marilson puxou a fila de africanos, que tinha outro brasileiro, Ivanildo Pereira dos Anjos. Até o quilômetro 6, o marroquino Mohamed el Hachim tinha a dianteira, mas dava claros sinais de esgotamento. Na saída do Elevado, Marilson tomou a dianteira e se consolidou ao lado do trio, que tinha os quenianos Barnabas Kosgei e Emmanuel Bett. James Kwambai, campeão em 2008 e 2009, já havia ficado para trás.

Ritmo forte. No quilômetro 8, Marilson imprimiu ritmo mais forte e começou a abrir vantagem. Sem mostrar cansaço e incentivado pelo público, iniciou com vantagem de cerca de 200 metros a temida subida da Brigadeiro Luiz Antônio. Com a vitória praticamente assegurada, o brasileiro olhou para trás e, sem pressão, foi diminuindo o ritmo forte que havia imposto.

Na parte final, a cerca de 1,5 km do fim, Marilson já tinha 230 metros de vantagem. Com o semblante fechado, só levantou o braço a 20 metros do fim. "Só tive a certeza avistando a linha. No fim, vinha sofrendo muito, senti dores na panturrilha direita, mas seria difícil perder."

Ao cruzar a linha de chegada, acenou com três dedos levantados, em referência ao tricampeonato - havia vencido, também, em 2003 e 2005. "Todo o brasileiro quer vencer, eu fui o primeiro a conseguir três vezes. Pediram muito a minha volta, voltei e pude vencer."

OS ÚLTIMOS 10 CAMPEÕES

2010 - Marilson Gomes do Santos (Brasil) - 44min07s

2009 - James Kwambai

(Quênia) - 44min40s

2008 - James Kwambai

(Quênia) - 44min42s

2007 - Robert Cheruyiot

(Quênia) - 45min54s

2006 - Franck Caldeira

(Brasil) - 44min06

2005 - Marilson Gomes dos Santos (Brasil) - 44min21s

2004 - Robert Cheruyiot

(Quênia) - 44min43s

2003 - Marilson Gomes dos Santos (Brasil) - 43min45s

2002 - Robert Cheruyiot

(Quênia) - 44min59s

2001 - Tesfaye Ragassa

(Etiópia) - 44min15s

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